domingo, 4 de setembro de 2011

Amar!

Amar!


Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar!  Amar!  E não amar ninguém!

Recordar?  Esquecer?  Indiferente!...
Prender ou desprender?  É mal?  É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

 
 
Florbela Espanca

Mais uma página do livro

No papel apenas o draft mas na cabeça, o todo, o livro. Mais uma página que escrevia, sentida perturbada...

Marta tinha o coração apertado, o seu coração era pequeno para tanto sentir, depois ele, do outro lado do fio por onde seguiam as mensagens de um amor velado, possível, mas ainda embrionário, esperava, a cada mensagem mais sentir, mais carência...começava a cada dia mal se levantava a ir ao computador, ver a sua caixa do correio...e lá estava mais uma mensagem , mais um abrir de coração, as palavras via-se que lhe jorravam do cérebro, mas com o coração ardente. Daquele estilo de mulheres que tanto amor têm para dar mas nunca foram bem amadas, quem as teve nunca viu que poço de amor, que magnitude e capacidade para dar, para oferecer...por vezes pensava, será verdade, estarei a receber estas mensagens, elas são-me dedicadas ou ela apenas escreve, escreve, possivelmente um livro, ao qual tenho o privilégio de ser o primeiro a ler, ainda ele está em bruto, não limado, tal como sai do coração dela, mas todo ele é uterino, febril, capaz de quase me levar ao êxtase...as palavras nunca nos são indiferentes. Imagino-a, com o seu pensamento moldado no meu, com seu corpo moldado também ele ao meu, quente, sequioso de amor, ardente, tão quente como se me quisesse queimar. Ah se eu pudesse...

Por sua vez ela também espera ansiosa cada pequena mensagem que ele egoísticamente lhe retribui...por medo? por incerteza ou por muitas vivências...já não acredita naquele tipo de amor, puro, cândido, que se dá sem nada pedir em troca.
Mas pede, ela pede e muito, mas nada recebe,  está carente, multiplamente carente. Há muito não sabe o que é amor, há muito que ninguém lhe demonstra, não lhe mostra o caminho do amor. E no entanto quando ela pensa nesse possível amor, é com um sentimento, com uma dor, como que uma contracção uterina, que sobe e agasta, dói e em simultâneo dá prazer, como no climax do amor...

Será que este pensamento já não é trair? Quando se deseja alguém que não aquele com quem se vive, não será isso maior traição do que aquela consumada, daqueles que levaram mais além o seu sentir e deixaram que os deleites do amor percorresse os seus corpos mal amados...não só os corpos, mas todo o seu ser. Quando somos mal amados , não é apenas físico, é também a nossa mente, todo o nosso ser.

Ela pensava, porque não queremos todos igual, porque temos de nos contentar com as coisas que não nos satisfazem, com as que não nos deixam felizes...Ah como queria ser amada, mesmo traindo, como queria ter em mim,  o outro, aquele que me deleitasse, me fizesse sentir os deleites do amor...
A mensagem não segue destino, marco-a e faço delete...o que pode acontecer quando nos damos assim, inteiros, sem barreiras, quando nos mostramos ao virtual, o que realmente somos e sentimos se no dia a dia não conseguimos fazê-lo...

Marta acorda, e sente-se frustrada. Mais uma vez tinha sonhado "com ladrões" como costumava referir-se a João para que ambos soubessem do que falavam sem serem explícitos.  Ela sentia que precisava urgentemente de mudar, precisa sair com o marido. Têm que combinar uns dois ou três dias fora de casa. Eles precisam estar sós sem ninguém por perto para que a sexcualidade de ambos, recalcada, volte e se exponha na sua plenitude. Quando o fazem geralmente acontece sem problemas.
Quando não estão em casa,  dormem nus, aconchegam-se sem nunca se forçar a nada, mas logo a excitação de João começa a sentir-se e passam à acção.
Este tipo de situações são muito problemáticas,  já que podem criar problemas e sequelas para todo o resto da vida.

sábado, 3 de setembro de 2011

O amor é uma companhia


O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.
                                    

 Alberto Caeiro

Quero apenas cinco coisas

Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.


Pablo Neruda

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Saudade

Saudade

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.




Paulo Neruda

O Chão é Cama para o Amor Urgente

O chão é cama para o amor urgente,
amor que não espera ir para a cama.
Sobre tapete ou duro piso, a gente
compõe de corpo e corpo a húmida trama.

E para repousar do amor, vamos à cama.

Carlos Drummond de Andrade, in 'O Amor Natural'

Eu canto


Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.


Cecília Meireles

You know



You know you're in love when you can't fall asleep because reality is finally better than your dreams



quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Esta noite sinto-me nostálgica

São quatro da manhã e esta noite sinto-me nostálgica. Por vezes sem razão aparente estou como o tempo.
Cai água  dos céus...chove...parece que estamos sofrendo algum castigo, já que este Verão não foi como os demais.
Preciso de sol para viver e ele teima em estar escondido, nestes dias de um Verão fingido, de noites ensombradas por nuvens pesadas.
Na sala onde estou neste momento e que apesar da chuva que cai, tem as janelas escancaradas, porque  a temperatura está amena, dá a sensação que há trovoada no ar.
Preciso do calor do sol, do calor dos raios de  sol, para me ajudar a viver. Será que amanhã ele vai aparecer?

(escrito na noite de 30 de Agosto de 2011)

“Recomeçar”

Não importa onde você parou…
em que momento da vida você cansou…
o que importa é que sempre é possível e
necessário “Recomeçar”.
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo…
é renovar as esperanças na vida e o mais importante…
acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período?
foi aprendizado…
Chorou muito?
foi limpeza da alma…
Ficou com raiva das pessoas?
foi para perdoá-las um dia…
Sentiu-se só por diversas vezes?
é porque fechaste a porta até para os anjos…
Acreditou que tudo estava perdido?
era o início da tua melhora…
Pois é…agora é hora de reiniciar…de pensar na luz…
de encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Que tal
Um corte de cabelo arrojado…diferente?
Um novo curso…ou aquele velho desejo de aprender a
pintar…desenhar…dominar o computador…
ou qualquer outra coisa…
Olha quanto desafio…quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te
esperando.
Tá se sentindo sozinho?
besteira…tem tanta gente que você afastou com o
seu “período de isolamento”…
tem tanta gente esperando apenas um sorriso teu
para “chegar” perto de você.
Quando nos trancamos na tristeza…
nem nós mesmos nos suportamos…
ficamos horríveis…
o mal humor vai comendo nosso fígado…
até a boca fica amarga.
Recomeçar…hoje é um bom dia para começar novos desafios.
Onde você quer chegar? ir alto…sonhe alto… queira o
melhor do melhor… queira coisas boas para a vida… pensando assim
trazemos prá nós aquilo que desejamos… se pensamos pequeno…
coisas pequenas teremos…
já se desejarmos fortemente o melhor e principalmente
lutarmos pelo melhor…
o melhor vai se instalar na nossa vida.
E é hoje o dia da faxina mental…
joga fora tudo que te prende ao passado… ao mundinho
de coisas tristes…
fotos…peças de roupa, papel de bala…ingressos de
cinema, bilhetes de viagens… e toda aquela tranqueira que guardamos
quando nos julgamos apaixonados… jogue tudo fora… mas principalmente… esvazie seu coração… fique pronto para a vida… para um novo amor… Lembre-se somos apaixonáveis… somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes… afinal de contas… Nós somos o “Amor”…
” Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura.”
Carlos Drummond de Andrade.

Comer, Orar e amar

Quem leu "Comer, Orar, Amar" certamente deve recordar-se destas palavras de Liz Gilbert :
“As pessoas acham que a alma gémea é o encaixe perfeito, e é isso que todo mundo quer.
Mas a verdadeira alma gémea é um espelho, a pessoa que mostra tudo que está prendendo você,
a pessoa que chama a sua atenção para você mesmo para que você possa mudar a sua vida.
Uma verdadeira alma gémea é provavelmente a pessoa mais importante que você vai conhecer, porque elas derrubam as suas paredes e acordam-nos com uma estalada. Mas viver com uma alma gémea para sempre? Não. Dói demais. As almas gémeas só entram na sua vida para revelar a você uma outra camada de você mesmo, e depois vão embora.”
Liz Gilbert

Adorei o livro e adorei o filme, apesar de ter de vos confessar que qualquer livro que seja a base de qualquer filme, uma espécie de guião, este, o filme, fica sempre muito aquém do livro. Os livros proporcionam-nos o sonho, a imaginação, o viver e entrar no enredo, fazer quase parte de história. Criar fantasias, imaginar cenários, tudo se passa na nossa cabeça. No filme, não são tanto as palavras, mas as imagens que ficam para memória. Por isso vos digo, leiam o livro e depois vejam o filme. Aí o sonho será muito maior e muito mais fantástico.

Resposta ao comentário de José Couto Nogueira, neste blog, a que não consigo responder.

Olá escritor! 
Sinto-me profundamente lisonjeada pela sua apreciação, ao que escrevi.
Adorei o livro e ainda o leio,  marcando páginas, numa outra visão, como se tivesse entrado em Alex...mas não só, descubro por detrás das letras, numa visão inédita, à procura ...talvez do escritor.
Depois farei outra apreciação, porque ela já está diferente, na minha cabeça.
Espero que volte ao blog.
Esse novo livro, espero não demore, por mim e pelos muitos leitores.
Obrigada.
Maria

Dizem-me que tenho o coração ao pé da boca



Dizem-me que tenho o coração ao pé da boca, porque escrevo e digo o que me vai na alma.
Não posso conter dentro do meu peito tanto sentir. E muito mais hei-de escrever, porque se não tiver este escape, certamente morrerei, por tanto sentir, por tanto querer...é absurdo como se pode querer algo e ser-se cobarde para o executar, não é? mas é verdade.

Sofro atrocidades, dentro do meu peito, ninguém me compreende, só criticam, vê lá se cresces nessa tua cabeça, porque já não és uma adolescente, tens família, não podes andar por aí a pensar tolices!!!

Neste momento estou só, poucos amigos, porque há que dar explicações, falar de nós, eu não quero. Porque têm de saber o que sinto ? Só tenho de mostrar o que me vai cá dentro a quem eu quiser. A quem me vem aqui ler por exemplo, porque não sabe quem sou, desconhece-me.
Tanta coisa aconteceu na minha vida que não daria um, mas cinco ou seis romances.
Neste preciso momento vivo uma crise existencial. Estou farta da vida que tenho, nada mais me seduz, quero sair desta teia, mas não consigo, não tenho forças...sou livre na palavra mas não nos actos.
Sei que tenho família mas essa família já não me satisfaz, já não me seduz, já não nada, porque para eles sou a bengala, apoio, o suporte, o pilar, como alguém de vez em quando me faz lembrar!!!

Tive uma educação sólida mas tradicional, e quero fugir a todos esses dogmas, a todos esses ensinamentos. Quem mos ensinou foi quem mais pecou! É tudo falso, os valores ...é tudo a fingir, os políticos são todos iguais, contudo quando se estuda política dizem-nos que é uma das mais nobres profissões...se fossem honestos, isentos, se não quisessem enriquecer rápido e fácil, se não se deixassem corromper!!!

Há quem me diga que escrevo muito, como se existissem várias Marias em mim...e será que não existem?
Porque não posso também eu ser vil, porque não consigo cortar amarras, porque não pego em mim e me ponho a andar, partir, sair, ser outra, começar do zero, porque há em mim o preconceito que me é incutido pela sociedade. As mulheres não saem de casa. As mulheres de meia idade só pensam em sexo. Se aguentaste até aqui, tens de ir em frente, sem olhar para o lado. Merda, merda, merda....não tenho palas!

Depois, para além dos preconceitos, do que pode acontecer, de me vir a sentir sozinha e abandonada, sei lá, se depois não poderia  querer recuar,   sei que nunca o faria, por mais que doesse. E isso causa-me medo.
Por isso o salto custa, passar de uma margem para outra. Ah, pois...o medo do desconhecido, o medo do que se possa viver, o medo da mais absoluta solidão. E assim, lá vamos confortando alma e coração, sossegando ímpetos, tentando manter a calma e andar noite fora, como hoje, sem dormir, sem serenar, com o coração em brasa, de tão carente estar.

E sim, é verdade, escrevo muito, muito mesmo, tanto que por vezes me envergonho, passo o rato, marco e apago. Há tanta coisa que gostaria de escrever, de libertar, tantas gavetas fechadas, tantas pontas e novelos emaranhados,  e o pior é que o tempo vai passando e eu vou ficando cada vez  mais triste e cada vez mais só.