sexta-feira, 3 de março de 2017

As redes sociais e não só pejadas de gente vazia!

Cansa-me as pessoas serem tão vazias de sentimentos. E nas redes sociais é o que mais se vê, é tudo menos o que deve ser.
Felizes os que acham que a vida é flores e passarinhos, quadrinhos e outras merdinhas do estilo. Triste é tu te veres obrigado a teres várias páginas onde sob outros dos teus nomes, possas ir aliviando a carga de emoções. As pessoas não querem saber se milhões de animais são chacinados todos os dias para dar de comer a bestas que querem ter as geladeiras repletas de pacotes de carne.
Não querem saber se há crianças escravizadas que trabalham doze horas nas minas e aos doze estão contaminados nos rins e bexiga e raramente chegam aos vinte.
As pessoas querem é bonequinhos que lhes encham os egos nas suas vidas de treta, vazias, onde se expõem depois de vários retoques nas imagens e de duzentas escolherem uma, que mostra mais a perna, a mama, o que comprou a cinquenta prestações mas é novo lá para casa, .....enfim!!
Cansa-me a beleza tanta porcaria que vinga por aí e que se acha gente.
Farta-me, esgota-me e eu preciso fugir dessa gente como certamente o hipotético diabo, fugiria da cruz, não fossem mais invenções de gente pequena.
E canso de ter tanta flor, tanta gente a pedir para colocar o nome, fujo de gente medíocre, de banalidades.
A vida é tão mais do que isso. Pena que nunca cheguem lá. Não têm culpa, não dá para mais.
Querem eles e elas saber se há milhares de animais ao frio, outros que levam onze longos minutos para morrer quando lhes é arrancada em vida a pele que lhes vai fazer a gola para o casaco....
As pessoas não podem ser todas iguais, uns nascem como diz Saramago, com um coração de carne e sangue e que sangra, outros nascem com coração de ferro, bom proveito.
Querem eles e elas saber se há milhares de animais ao frio, outros que levam onze longos minutos para morrer quando lhes é arrancada em vida a pele que lhes vai fazer a gola para o casaco....
Cada vez mais odeio certa gente, e são milhares se não milhões a quem não suporto. Gente hipócrita, falsa que só olha para si e para o seu umbigo, e porque se acham, pensam, pobres coitados ignorantes, que são o centro de alguma coisa e que as pessoas gravitam em volta deles, mas só vejo mesmo trampa a gravitar à volta deles, outros trampas iguais.
Por isso esta página adormecida há anos é agora refúgio,
E se você não gostar do que escrevo, por favor, faça o favor, não irei ficar nada chateada.
Só não quero é os tais por aqui. Fazem-me mal. Dão-me espasmos nos intestinos.

GR
Imagem: http://kiratakuto.deviantart.com/art/Alene-i-skoge

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Odeio Carnaval

Hoje é carnaval e cá em casa ainda há uma pessoa que dorme a esta hora e eu já trabalhei umas seis horas.
O dia está cinzento, já brilhou o sol, mas foi por pouco tempo.
A casa foi invadida por uma espécie de silêncio.
Em volta e no condomínio em frente da parte norte, parece que virou túmulo. Mas há gente em casa, há vários carros estacionados no parque.
No meu edifício, ouve-se ao longe uma qualquer máquina de lavar, os pios das rolas nas traseiras, a máquina de secar ao fundo da cozinha a uns 20 metros de distância e que por isso, chega mais ou menos em surdina.
Uma avioneta que levantou voo de Tires e passa próximo.os pombos que se desunham sobre a pimenteira nas traseiras, para ver quem se aventura a vir ao parapeito da janela onde estão as sementes de girassol que tanto gostam...
Há como que uma beatificação do espaço que me envolve.
Odeio carnaval. Odeio circo. Odeio tudo o que é a exploração, seja do ser humanos, seja dos animais.
Penso igual a Vergílio Ferreira, os homens adoram carnaval, porque é aí, não que se mascaram, mas pelo contrário, desmascaram-se....
Cada vez mais tenho necessidade de entregar ao papel o que vai num dos quartos do meu ser, porque são muitos. E cada quarto seus segredos e enigmas. Alguns fechados a sete chaves e a chave jogada ao mar.
Ao contrário das outras pessoas, o carnaval para mim é símbolo de tudo menos alegria. É como que uma dança maqueavélica, dionisíaca que nunca precisei dançar, porque nunca permiti que meu coração fosse invadido pelas trevas.
Como refere Saramago, se o teu coração é de ferro, bom proveio, o meu fizeram-no de carne e sangue e sangra. O meu é igual.
Nunca quis saber de coisas estranhas e de maluquices.
Houve um tempo da minha vida em que me deixei arrastar por alguns "amigos", para umas quantas maluquices, como ir dançar à meia noite para o Founder's Inn ou ir ao Autódromo etc. Onde nunca entrou droga, isso nunca!!
Mas bom mesmo, era fazer o roteiro dos cinemas mesmo em Cascais. Cinemas que já não existem.
Ia-se ao S. José às 9 da noite e depois ao Palácio à meia noite, acaba-se ceando no Trem velho, junto à estação de comboios.
Ou ao Ryade e depois a outro qualquer, jantando nos Doze na Rua Direita. Isso era o que gostávamos mesmo e sempre gostámos. Ou ir até ao Trem velho beber uns gins e acabar jantando por lá...nada que metesse carnaval.
Foi tudo aquilo que foi cimentando uma cumplicidade que ultrapassa amizade e amor, ou paixão. E tudo sempre com o meu silêncio pelo meio, porque ao contrário de outros, eu alimento-me dele.
E quando dei por isso, quem me acompanhava, já então meu marido, me disse que achava tudo aquilo uma parolice, uma depravação e que nós dois éramos muito mais do que aquilo. E parámos.
Há pessoas que precisam de tanta coisa porque nunca se deram conta de que estão sozinhas, na maior solidão.
Eu não, nunca estou só. Mesmo quando estou sozinha, o meu cérebro é uma orquestra, nunca serena, nunca pára. Vibra, ressoa e cria.
Por tudo isso eu odeio carnaval.
Carnaval é solidão, é tirar a máscara que toda a gente leva o ano inteiro, fingindo o que não se é.
O privilégio de ter este silêncio que só acaba quando coloco nos ouvidos os auscultadores ligados ao Youtube e vou ouvindo as minhas músicas de eleição. Esse silêncio é mesmo o que me apega a esta casa de mais de trinta anos, parcialmente virada a norte e por vezes fria, com uma luz inigualável, sem estrada perto, pelo menos onde estou na parte nordeste, sem gente barulhenta, apenas com o pios dos inúmeros e muito raros pássaros que por aqui passam, dada a aproximação de quintas e árvores centenárias que vejo da minha janela. Silêncio que vale mais do que o ouro, mais do que tudo e faz parte de mim. Onde me envolvo e vivo, serenamente sem pressa...tomara durasse para sempre.


GR

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Perdi quem me deu a vida



Um sereno sábado a todos, porque sem paz e serenidade a vida é um tormento.  E eu preciso dessa serenidade e dessa paz para  repor tudo o que foi abalado em mim. Não apenas pela perda de alguém que nos dá a vida. Mas porque durante toda uma vida não houve diálogo, existiu afastamento e ontem nem sequer consegui fazer a despedida que queria. 
Tudo demasiado rápido, tudo  sem compaixão sem sentimento pelo luto dos outros. Tanta coisa que precisava de ter sido  esclarecida porque um  ser ( reparem que não escrevi mãe) que não amava os seus filhos. Talvez não acreditem mas eu preciso dizer isto e escrevê-lo ...eu queria ter falado com minha mãe em silêncio para entender ou tentar entender o porquê de não se beijar um filho e haver um afastamento tão grande.
Minha mãe nunca me amou, nem a mim nem a meus irmãos. Fomos todos desprezados, a mim nunca abraçou ou deu um beijo. Poderia esconder isto, podia, mas preciso expurgar a dor que me vai dentro por não ter sido amada, nunca senti um beijo, um abraço, um carinho.

De toda uma enorme família eu fui a única que fui ao enterro mas nem sei porque lá fui.

Ao contrário do que podem pensar, não teve a ver com a dor da perda. Teve antes pelo contrário por nunca mais  poder saber o porquê de se ter filhos e não se amar esses filhos.
Ficou para sempre sem resposta.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Pode parecer parado por vezes, mas eu estou cá.



Tenho poucos seguidores, poucas leituras.
Mas alguns desde o início.
Por isso devo explicações. Estou a pensar criar um novo blogue. Este não irá ficar adormecido ou morto. Desde início que esvazio o que vai dentro de mim aqui,  muitas vezes confesso que escondo o que escrevo. Tenho usado o blogue como uma espécie de terapia.
Muitas vezes parece que não venho cá, mas venho, escrevo, mas não publico. Por isso este blogue não vai fechar. Pode parecer parado por vezes, mas eu estou cá.

Gostava de ter um outro, apenas com textos e poemas, notícias. Adoro História, Astronomia, descobertas científicas, adoro tudo sobre o universo, excertos de livros que estou a ler ou li, ideias. Coisas que quero que fiquem escritas e organizadas. Para não me perder em tanta coisa que vai dentro de mim.
Na meia idade pareço uma adolescente! Tenho tanto para fazer e dei-me conta que não me resta outro tanto de vida. Tomara pudesse ter. Mas não depende só de mim...
Por isso, mal tenha o outro blogue, se é que o vou abrir ou se coloco aqui, vos direi ou não.

Quero agradecer muito a quem vai não vai passa por aqui. Sabem que eu sei quem são, basta ter um contador de visitas  para sabermos quem e como nos leem. E os browsers e locais onde estão.
Por isso se quiserem, comentem.



Que um monte de coisas boas chegue até vós.
Bom fim de semana!!


Estou num cansaço só!!





Estamos a uma nesguinha de ser de novo sexta-feira....sinceramente a sensação que tenho é que me falta tempo para tanto que tenho para fazer. Parece que o início do ano não está a ser produtivo.
Vou  mesmo ter de fazer várias pausas para levar o ano e tentar resolver um sem número de coisas !

Este ano vou precisar de  algumas pausas e auto retiros. Isolamentos, sem sequer a obrigação de olhar ou falar a alguém. Estou tão cansada que preciso urgente desse tempo para mim!!


E férias, mas férias a sério, sem horários e sem obrigações.
Preciso de organizar a minha cabeça, para ver se arranjo hipótese de que tudo se encaixe. eu tudo o que quero ver concretizado, seja possível de solução.

Arrastar assuntos só nos traz desgaste. Desgaste físico e psicológico, insónia, insegurança, falta de perspectivas e de concretização.
Nos sessenta anos, não me posso dar a esses luxos, tudo tem de ser agora! E há pessoas que há muito  mais de metade da minha vida dependem de mim e nada fazem para mudar.
Estou sem alento para esta situação!!







Falta-me tempo para tudo! Até para viver!!




sábado, 3 de dezembro de 2016

Há dias em que acordo com o sol dentro de mim



Sou assim, passo meses sem aparecer, de repente sinto urgência em partilhar. Tenho outros sítios onde partilho, mais pessoais.
Preciso vir aqui mais amiúde. É como uma pequena catarse. Ou como uma hipotética consulta com o psicólogo, onde apenas aliviasse o peso que carrego e é tanto.

Sabiam que colecciono pedras? Tenho sacos e cestos delas. Tenho muitas, porque elas simbolizam os dias, as semanas, os meses os anos onde imperou a dor e o sofrimento. Mas nem sempre assim é. Há dias diferentes!! Os melhores, quando estou só, posso dispor do meu dia e fazer o que quero. O sofrimento, a angústia aparecem com os outros, porque eles me recordam, eles são a personificação do meu falhanço!

Há dias em que acordo com o sol dentro de mim, mas por vezes esse sol perde-se e a tarde é a mais tenebrosa das provações. 
O que quer dizer que podemos estar bem, mas sempre acontece algo para nos virar do avesso, para nos tirar o chão, desviar do caminho....especialmente quando vem de quem vem....cada dia acredito menos, cada dia me fazem desviar mais do caminho luminoso que queria para mim. 
Há sempre quem nos agrilhoe pesos nos pés e nos lance de mãos atadas,  ao mar.
Difícil encontrar um deus neste torvelinho. Aquele que eu preciso hoje e sempre mas está ausente de mim. 
E apenas o encontro na grandiosidade deste universo.
Como pode deus existir? Estaria certamente muito distraído  ou ele próprio dopado e de olhos vendados e membros em grilhetas, porque de outro modo estaria mesmo muito distraído.
A minha vida e aquilo que tantas vezes critico ou é um suplício, é para outros um paraíso inatingível.
Há seres humanos, mas não somente, há seres, gente e animais, que apenas nasceram para sofrer.



Tudo é tão pouco!

Olá, a quem aqui passa!
O blogue vai mais uma vez mudar de nome.
Sem apelos nem agravos, teve o seu tempo. Mas é algo ligado às leis. Eu quero algo universal.
Que possa reflectir o que em mim vai de tão grande e ao mesmo tempo tão pouco.
Por isso e a exemplo do poema de Pessoa, vai chamar-se : " Tudo é tão pouco"!
E não é??
A minha vida daria não um mas vários livros e todos seriam enormes, tristes e solitários, doloridos e por vezes com explosões de êxtase perante a beleza do que meus olhos contemplam, mas mesmo assim, uma vida já grande, para lá das seis décadas e todavia, tão curta.
Uns dias gostaria que fosse eterna, outros que terminasse ali.

Por isso mudei. Porque precisamos de mudar, estar estático não leva a lado nenhum.

Maria




"Morre! Tudo é tão pouco!
Nada se sabe, tudo se imagina.
Circunda-te de rosas, ama, bebe
E cala. O mais é nada."

Ricardo Reis, heterónimo de Fernando Pessoa

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Felicidade é uma questão de escolha



Felicidade é uma questão de escolha

“A vida de todo ser humano é um caminho em direcção a si mesmo, a tentativa de um caminho, o seguir de um simples rastro.”

in «Demian» de Hermann Hesse




Podemos ter momentos de felicidade. Mas esse conceito tão em voga faz parte das modas e livros de auto ajuda. Há muito quem pregue para poucos e se convença que é para milhões. Infelizmente a maioria dos mortais humanos e animais nunca vai sequer imaginar o que significa "a felicidade é uma escolha"..... e para mim, entenda-se, nada tem a ver com posses materiais, metas atingidas, riqueza. Tem a meu ver, com o nosso íntimo e a paz interior que conseguimos atingir num mundo de infernos. Poucos lá chegam. Assim como milhões se convencem que vivem e apenas respiram para vegetar. Aí é que está a diferença das pessoas. Não na cor de olhos ou cabelo ... ter muito ou pouco. Tudo fica cá e se hoje tem valor, amanhã é sucata, terra, tijolo....areia. Só o que está na nossa mente tem valor e nos pode fazer almejar o estado de paz e felicidade !!!

Foto: Charlot ( Charlie Chaplin)

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O poder do Agora e os agoras do nosso passado

Dizem os antigos e modernos filósofos chineses e tibetanos que somos o que pensamos, hoje a ciência prova-o, o pensamento tem influência na nossa vida e  faz até mudar os nossos rumos, influencia o nosso dia a dia.

Mas tal como encontro em Lobo Antunes,somos essencialmente memórias. Terrível isso, de não conseguirmos esquecer nada, às vezes bem queria, ter uma varinha mágica e eliminar ou poder fazer como se faz nos computadores, marcar e "delete"....infelizmente isso não é possível.
Queria ter a força de  Eckhart Tolle : 
 
“As pessoas não percebem que agora é tudo o que é, não existe passado ou futuro excepto como uma memória ou antecipação em nossas mentes”, in O poder do Agora.

Podemos nós viver sem o passado?? Podemos! se sofrermos de amnésia ou Alzheimer. Aí diz-se que nos esquecemos de nós e do nosso "eu" não foi construídos nos "agoras" que fazem o nosso passado??.
Eu sou muitos dias de agoras que passaram e fazem o meu passado e apenas uns segundos de agora. Logo, logo, o presente é passado. 

 "The ultimate truth of who you are is not I am this or I am that, but I AM" - Eckhart Tolle

Aqui concordo com ele, nós não podemos rotular-nos como sendo isto ou aquilo, nós somos e cada pessoa, cada homem é um mundo, pr mais semelhante do seu semelhante, sempre um mundo diferente.
Não há duas pessoas que pensem igual.

Mesmo os casais que vivem uma vida juntos, pensam muito diferente, mas a companhia do outro, faz parte do seu percurso, saem como e com que podem contar, sabem como vão reagir, sabem como raciocinam,  e isso dá-lhes um conhecimento do outro, mas não quer dizer que pensem igual.
A cumplicidade, a tolerância, a amizade, o profundo conhecimento que têm um do outro, lavam a vidas longas em conjunto. Isso na maioria das vezes é muito mais forte do que o amor, esse está lá e ambos têm o passado de lembranças da mesma paixão, a partilha dos tais agoras que fazem o passado conjunto.

Quem aqui vem, sabe que adoro filosofia. Vários são os meus filósofos de eleição. Dos mais recentes Ortega Y Gasset, mas sou existencialista até à medula.
Por isso me encantei com algumas das frases deste homem, que estou a conhecer que não é filósofo, mas desenvolve teorias filosóficas.
Na realidade nós só podemos existir agora, no momento que logo passa a passado e só existimos  porque os nossos órgãos trabalham,o sangue corre, o feixe de células que constitui o nosso tecido cerebral, processa, julga, faz a sua razão e,  nós guardamos ou não ligamos. Ao contrário do que muita gente julga, não registamos apenas o mais e o menos dos agoras, registamos tudo. Mas muitos são tão distraídos que vão passando na vida sem sequer tomar consciência do que são e do que fazem por aqui. Outros há, que registam tudo, até pormenores banais. Porque não somos iguais, nem todos temos a mesma capacidade de memória, ou não aprendemos a guardá-la. Nem o nosso cérebro é igual ao do nosso vizinho. Todos somos diferentes e como diz este senhor, nós somos!! Isto é : "I am "( eu sou).

Alguém que por aqui passa já leu algo de Eckhart Tolle ?  Estou a ler : "Um novo Mundo - despertar para a essência da Vida".
Não será um filósofo, mas um moderno guru, que tenta trazer paz a muita gente através de uma filosofia que veio desenvolvendo enquanto professor.
Tem algo que eu gosto, aceita todas as religiões,mas não tem nenhuma. Isso agrada-me sobremaneira, sinto-me em casa. Sou panteísta, o meu Deus é o universo onde tu e eu estamos e nos incluímos.

Se quiserem comentem.




  
Deepak Chopra ( à direita da imagem, a quem sigo quase diariamente há muito)   e Eckhart Tolle, que é um homem pequeno, se passasse por ele na rua certamente não reagiria, como reajo aos seus escritos.
Mais um dos meus conceitos que cai por terra, não sou apreciadora de homens pequenos. Mas é a tal coisa, julgar o livro pela capa. 

Immanuel Kant era pequeno e era um gigante. Muitos outros existiram, o mais conhecido talvez, Napoleão.

Preconceito apenas e eu ainda tenho muitos. Vão indo embora, com muita leitura e tomar consciência de que por mais que leia e aprenda, nunca saberei o tanto que sabem alguns eleitos e o tanto que existe para aprender.

A Idealização do Amor,



A Idealização do Amor

Eu estava a pensar na forma como se poderá entender o amor, à luz da minha formação. Da minha perspectiva, depende daquilo que o outro representa, se o outro é um prolongamento nosso, é uma parte nossa, como acontece muitas vezes, ou é uma idealização do eu de que falaria o Freud. No sentido psicanalítico poder-se-ia dizer que o amor corresponde ao eu ideal e, portanto, à procura de qualquer coisa de ideal que nós colocamos através de um mecanismo de identificação projectiva no outro.

Portanto, à luz de uma perspectiva científica, como é apesar de tudo a psicanalítica, o problema começa a pôr-se de uma forma um bocado diferente. Nesse sentido e na medida em que o objecto amado é sempre idealizado e nunca é um objectivo real, a gente, de facto, nunca se está a relacionar com pessoas reais, estamos sempre a relacionarmo-nos com pessoas ideias e com fantasmas. A gente vive, de facto, num mundo de fantasmas: os amigos são fantasmas que têm para nós determinada configuração, ou os pais, ou os filhos, etc.

(...) O amor é uma coisa que tem que tem que ver de tal forma com todo um mundo de fantasmas, com todo um mundo irreal, com todo um mundo inventado que nós carregamos connosco desde a infância, que até poderá haver, eventualmente, amor sem objecto. O amor não será, assim, necessariamente, uma luta corpo a corpo, ou uma luta corporal, mas pode ter que ver realmente com outras coisas, uma idealização, um desejo de encontrar qualquer coisa de perdido, nosso, que é normalmente isso que se passa, no amor neurótico, ou mesmo não neurótico. Quer dizer, é a procura de encontrarmos qualquer coisa que a nós nos falta e que tentamos encontrar no outro e nesse caso tem muito mais que ver connosco do que com a outra pessoa. Normalmente, isso passa-se assim e também não vejo que seja mau que, de facto, se passe assim.

António Lobo Antunes, in "Diário Popular (1979)"

Via Citador.pt/



Há poucos homens jovens que me virariam a cabeça. Talvez pela PDI, hoje eu seja diferente, mas nunca pensei igual. Acho que vamos sentindo atracção, mais pelo intelecto do que pelo físico.

Depois, há em Lobo Antunes como que uma criança perdida, o olhar e também as muitas memórias. 
Adoraria conhecê-lo e conversar com ele, saber o porquê de tanta angústia. Mas depois recordo-me de mim. Também eu sou muito de passado. E as marcas doem demais sim.