domingo, 29 de março de 2015

Walden ou a vida nos bosques


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O primeiro pardal da primavera! É o ano que se inaugura com uma esperança mais jovem que nunca! Sobre os campos húmidos e parcialmente despidos de neve, ouvem-se os lânguidos e argentinos gorjeios do azulão, do pardal cantor e do tordo menor, como se tilintassem ao cair os últimos flocos do inverno. Num momento desses o que representam histórias, cronologias, tradições e todas as revelações por escrito? Os arroios cantam madrigais e hinos de Natal à primavera. O gavião do charco, voando rasante sobre o prado, já está em busca da primeira vida que desperta no lodo. O som minguante da neve se derretendo invade todos os pequenos vales, e num átomo o gelo se dissolve nos lagos. O capim flamejando pelas encostas parece o fogo da primavera, — "et primitus oritur herba imbribus primoribus evocata" — como se a terra irradiasse um calor interno para saudar o retorno do sol; não amarela, e sim verde, é a cor da sua chama; — é o símbolo da perpétua juventude, a folha da gramínea, que feito uma longa fita verde brota da terra para o verão, na verdade impedida pela geada, mas daí a pouco vai levantando a haste de feno do ano findo com o impulso da vida nova sob suas raízes. Cresce com a mesma constância com que o arroio flui do chão. E com ele se identifica a tal ponto que, nos adolescentes dias de Junho, quando secam os arroios, as folhas das gramíneas os canalizam e por todo o ano os rebanhos bebem nesse perene rio verde, de onde o segador retira a tempo o sustento deles no inverno. Do mesmo modo nossa vida humana não obstante feneça até suas raízes, ainda assim lança sua verde haste para a eternidade.

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in Walden
Henry David Thoreau.



Massachusetts, Walden lake

sábado, 28 de março de 2015

Walden ou a vida bosques



Fui para os bosques viver de livre vontade,
Para sugar todo o tutano da vida…
Para aniquilar tudo o que não era vida,
E para, quando morrer, não descobrir que não vivi!

in Walden
Henry David Thoreau.



sexta-feira, 27 de março de 2015

Amanheci em cólera



Amanheci em cólera.
Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam.

Clarice Lispector, via Citador

Jornal do Brasil (1967)





domingo, 8 de fevereiro de 2015

desigualdade e indiferença


  

Cada vez há mais desigualdade, cada vez há mais pessoas indiferentes ao sofrimento do próximo.
De uma coisa os ricos não se livram, é que ao nascer e ao morrer, somos todos iguais. 


Maria Pitanga



sábado, 7 de fevereiro de 2015

Fernando Pessoa






Sábio é, quem se contenta com o espetáculo do mundo.

Fernando Pessoa


 

pensamentos positivos



Mau grado os atropelos, as acusações, as mentiras e as trapaças que nos prega o destino cruel, o meu lema de vida  é:



"Mantenha seus pensamentos positivos, porque seus pensamentos tornam-se suas palavras. Mantenha suas palavras positivas, porque suas palavras tornam-se suas atitudes. Mantenha suas atitudes positivas, porque suas atitudes tornam-se seus hábitos. Mantenha seus hábitos positivos, porque seus hábitos tornam-se seus valores. Mantenha seus valores positivos, porque seus valores tornam-se seu destino."



Mahatma Gandhi


terça-feira, 27 de janeiro de 2015

O desgoverno de quem governa


O grande mal é esse, mas também analistas e politólogos serem uns zeros à esquerda em termos de economia e economia social e solidária, em relações internacionais etc...Não se pode ser um bom analista de política governamental, só porque se sabe História e as diferentes correntes políticas. Há que saber Relações Internacionais e mais a História das mesmas....há que saber estatística e saber o que se passa em cada país e qual o coeficiente de diferença entre cada um, nos diferentes itens analisados. E acima de tudo, tem que se ter distância e não ser ambíguo.
Assim, e preciso referi-lo de novo, na minha opinião pessoal, se a esquerda ganhar na Grécia, não só não sairá da União monetária, como nem vai haver tanta diferença assim na política. Nada pode mudar assim tanto. Já estão em mínimos históricos. 

E as desigualdades sociais continuam galopantes. E a economia paralela continua de forma pavorosa a assombrar o caminho da democracia que eles, gregos, inventaram e nos transmitiram por legado romano.
Não posso ser grega, porque sou lusa e com muito orgulho, muito mal se tem feito neste país e não foi nos últimos 40 anos, como referem os saudosistas. Nem foi o PS que fez o mal maior, foi quem hoje é o mais alto magistrado da nação, que começou a desmantelar o país e a pagar para não se produzir.


O  subsídio, é como a droga, vicia. Cria hábito, raiz e habita.



segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Sou existencialista e orgulho-me disso



A quanta ambiguidade de tanta gente mal resolvida que anda por aí e não apenas em termos sexuais. Como gente. 
Não podemos ser Nietzschianos ou Sartrianos e acreditar em Deus ou na alma, ou no eterno retorno, etc etc etc...há quem precise pegar nos livros e voltar a estudar. 
Para Sartre ou Nietzsche, apenas referindo estes dois porque são os mais citados nestas redes sociais, não existe deus, nem alma, nem a possibilidade de retorno. 
Alma é a capacidade de raciocínio e memória sensorial e outras.
Aconselho vivamente a lerem. 

Também não se pode acreditar e ser ao mesmo tempo existencialista.
 

Sei que muitas vezes choco as pessoas, mas a minha mente chegou onde está, aos 16 anos, já lá vão mais de quatro décadas. 
Não devemos usar citações de Sartre, Milan Kundera, Marguerite Yourcenar ou Hannah Arendt, se somos crentes. É um contra-senso. 
Para muitos serei herege, para outros louca, e sei lá o que mais. 
Mas eu não sou o que as pessoas pensam, eu ou outra qualquer pessoa, sou aquilo que sou e a opinião dos outros não faz de mim o ser que eles imaginam.

Para mim, quando termina a possibilidade de os feixes eléctricos criarem raciocínio, somos apenas matéria. E acabou. Daqui que muitos cientistas dizerem que quem sofre de Alzheimer, ser um morto vivo, especialmente nas formas mais agressivas da doença.






domingo, 25 de janeiro de 2015

RECOMEÇAR








Recomeçar 



Não importa onde você parou,

em que momento da vida você cansou,
o que importa é que sempre é possível
e necessário "Recomeçar".

Recomeçar é dar uma nova
chance a si mesmo.
É renovar as esperanças na vida
e o mais importante:
acreditar em você de novo.

Sofreu muito nesse período?
Foi aprendizado.

Chorou muito?
Foi limpeza da alma.

Ficou com raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las um dia.

Sentiu-se só por diversas vezes?
É por que fechaste a porta até para os outros.

Acreditou que tudo estava perdido?
Era o início da tua melhora.

Pois é!
Agora é hora de iniciar,
de pensar na luz,
de encontrar prazer nas coisas simples de novo.

Que tal um novo emprego?
Uma nova profissão?
Um corte de cabelo arrojado, diferente?
Um novo curso,
ou aquele velho desejo de aprender a pintar,
desenhar,
dominar o computador,
ou qualquer outra coisa?

Olha quanto desafio.
Quanta coisa nova nesse mundão
de meu Deus te esperando.

Tá se sentindo sozinho?
Besteira!
Tem tanta gente que você afastou
com o seu "período de isolamento",
tem tanta gente esperando apenas um
sorriso teu para "chegar" perto de você.

Quando nos trancamos na tristeza nem
nós mesmos nos suportamos.
Ficamos horríveis.
O mau humor vai comendo nosso fígado,
até a boca ficar amarga.

Recomeçar!
Hoje é um bom dia para começar
novos desafios.

Onde você quer chegar?
Ir alto.
Sonhe alto,
queira o melhor do melhor,
queira coisas boas para a vida.
pensamentos assim trazem para nós
aquilo que desejamos.

Se pensarmos pequeno,
coisas pequenas teremos.

Já se desejarmos fortemente o melhor
e principalmente lutarmos pelo melhor,
o melhor vai se instalar na nossa vida.

E é hoje o dia da Faxina Mental.

Joga fora tudo que te prende ao passado,
ao mundinho de coisas tristes,
fotos,
peças de roupa,
papel de bala,
ingressos de cinema,
bilhetes de viagens,
e toda aquela tranqueira que guardamos
quando nos julgamos apaixonados.
Jogue tudo fora.
Mas, principalmente,
esvazie seu coração.
Fique pronto para a vida,
para um novo amor.

Lembre-se somos apaixonáveis,
somos sempre capazes de amar
muitas e muitas vezes.
Afinal de contas,
nós somos o "Amor".

Paulo Roberto Gaefke

Via Pensador


"E não do tamanho da minha altura."




"E não do tamanho da minha altura."


" Releio passivamente, recebendo o que sinto como uma inspiração e um livramento, aquelas frases simples de Caeiro, na referência natural do que resulta do pequeno tamanho de sua aldeia. Dali, diz ele, porque é pequena, pode ver-se mais do mundo do que da cidade; e por isso a aldeia é maior que a cidade...
"Porque eu sou do tamanho do que vejo
Frases como estas, que parecem crescer sem vontade que as houvesse dito, limpam-me de toda a metafísica que espontaneamente acrescento à vida. Depois de as ler, chego à minha janela sobre a rua estreita, olho o grande céu e os muitos astros, e sou livre com um esplendor alado cuja vibração me estremece no corpo todo.
"Sou do tamanho do que vejo!" Cada vez que penso esta frase com toda a atenção dos meus nervos, ela me parece mais destinada a reconstruir consteladamente o universo. "Sou do tamanho do que vejo!" Que grande posse mental vai desde o poço das emoções profundas até às altas estrelas que se reflectem nele e, assim, em certo modo, ali estão."


Nota: Pessoa, na "pele" de Bernardo Soares, um seu heterónimo, escreve sobre Alberto Caeiro, outro dos muitos heterónimos, in «O guardador de rebanhos»


Livro do Desassossego, Bernardo Soares um dos muitos heterónimos de Pessoa

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A paz natalícia não é para todos





Uma das razões porque não aprecio certas épocas é pelo que elas se tornaram, em interesses quase apenas comerciais.
Na véspera de Natal  ouvi duas conversas, em sítios bem diferentes e ambas sobre o mesmo assunto. Pessoas que preferiam estar a trabalhar do que a ter de passar o Natal em família. Porque uns   não dão nada, outros só se vêm no Natal ou nos funerais, discutem, reclamam, chegam a degladiar-se verbalmente....fiquei a pensar exactamente o contrário do que  pensava....julgava eu que a minha família, apesar de todos os ensinamentos e comemorações, partilhas que houve desde o nascimento até  à saída dos filhos de casa, que a minha família,  tinha  chegado a um ponto de quase não retorno.

Cada um funda a sua própria família e nunca obriguei nenhum a seguir tradições ou obrigações

Afinal, acredito que o que dei mesmo demais foi liberdade.
Liberdade de escolha, de credo, de escolherem  áreas de estudo. Mas hoje acusam-me disso tudo, como se fosse desinteresse.
Não, prezo demais a liberdade, pude escolher, mas há quem não entenda e precise da muleta, da escolha do outro para jogar à cara se houver  falhanço. Mas se não são pressionados  e têm liberdade, então é o contrário....viram-se  na mesma dizendo, não te preocupaste, não quiseste saber.
Invariavelmente respondo   a mesma coisa, pelo contrário, dei-te o livre arbítrio para puderes escolher sem pressão.
Até na religião. Fui obrigada a  fazer catequese, comunhão, crisma etc. Mas não obriguei, nada fizeram disso.
Hoje sou  acusada por  um dos filhos,  de não lhe ter dado bases de religião, não consegue entender que é exactamente o contrário. Pergunto-me, como pode isto acontecer a alguém como eu. 
Eu sufocaria sem liberdade.

Há dias estava a ver  num dos Telecines, um filme que recomendo, Philomena ( Filonema), baseado numa história real, uma de muitas,   dei-me conta de que tudo  que conta mesmo são as nossas vivências, os nossos sentimentos, aquilo que registamos.
Mas mesmo esses nunca estão isentos da influência do mundo exterior, das influências que outros nos incutem, por mais que queiramos ser isentos, por mais que sejamos diametralmente  opostos a todas essas influências. Somos tantas vezes, uma soma de contrários e por isso não somos linearmente aquilo que julgamos ser, nós próprios. 
Por mais que queiramos ficar apenas contemplando o que se passa à volta, somos forçados a entrar na roda, tantas vezes em detrimento próprio e apenas para satisfazer os  outros, ou os seus desejos,  porque eles próprios sozinhos são incapazes, por ignorância ou não saber, obrigam a quem podem manipular através até de pequenas chantagens, a fazero avesso do que se pensa.
Assim, podemos jurar a pés juntos não ir a determinado local, mas lá aparece um sms ou um telefonema,ou um recado por interposta pessoa...aparece um pedido, "as tua netas, gostavam de ter isto ou aquilo, podias dar-lhes, assim elas ficavam mais contentes..."...e o fino propósito de não ir aqui ou ali, vira num pequeno pesadelo, por vezes, discussão, almoço fora de casa, correria porque  há quem trabalhe a diferentes horários.  E mais uma desilusão. Mais  qualquer coisa que fomos obrigados a fazer na mera tentativa para agradar a quem nos aponta o dedo, pelas coisas mais absurdas. Depois, recebe-se um telefonema. Olha passamos aí depois do ano novo Não podemos ir antes. Bom natal para vocês...portem-se bem... 
Que raio de treta. Por vezes quer-me parecer que em vez do muito cházinho aos meninos, lhes devo ter dado estricnina, já que conseguem envenenar a coisa mais simples e sem importância.

Natal, deveria ser redenção, louvor, paz, família, união, foram esses os valores que me transmitiram e que eu passei, Natais já foram, hoje, volvidos muitos anos, vejo que foram erradamente vividos. Viviam-se os presentes, as azáfamas das compras, com as listas de cada um, tentando que nada falhasse...e foi aí o grande erro.Hoje tenho a certeza.

Hoje o natal perdeu brilho, este ano nem árvore fiz, nem o presépio maior, era tradição comprar-se musgo e os miúdos faziam, com caminho, plantas, luzes etc.Existem muitas figurinhas. Não, apenas um pequenino que já vem na cabana e tudo. Meia dúzia de bolas douradas e vermelhas penduradas nos braços dos candeeiros, e nada mais.
O brilho e a cor da casa de antigamente, com músicas de natal, ainda temos uns dez ou mais CD's ....passou. Foi noutro século. Para quê recordar?

Sempre me lembro de ouvir os mais velhos dizer que o que não tinha remédio, remediado está.
Assim, que venham muitos natais, muitos fins de ano, mas na paz da solidão, porque essa traz, bons  livros, bom jazz, bons filmes e a merecida serenidade, vividos numa paz mais do que merecida, mesmo que  com muitas horas onde apenas estou eu e os meus "filhos" de quatro patas.
Sempre se compra  para muitos, a comida e a bebida  sobram sempre... depois andamos vários  dias, a retirar da geleira, aquilo que ninguém comeu, porque simplesmente não apareceu.

Por isso, acredito perfeitamente que tanta gente e aquelas duas conversas que mencionei bem no início, tenham fundamento. 
Dei-me conta pelas notícias que começam a aparecer inúmeras famílias, sejam elas de um ou muitos membros que desaparecem nestas épocas. Se me perguntam,  até concordo.
Passam a consoada, dormem e o dia de Natal, num qualquer hotel ou herdade, fora da linha do horizonte de quem lhes pode estragar o sossego.

Claro que há quem  trabalhe por horários rotativos  e nunca possa  tirar férias nessa época.  E esses são dos tais, que preferem estar a trabalhar, a ter a casa cheia de barulho, tudo desarrumado, a mãe a trabalhar para todo. Já os outros,  os que comem,  tudo virado e vidrado nos ecrãs dos telemóveis, tablets ou  computadores...porque na realidade, Natal mesmo, não é para todos e para alguns é apenas  sinónimo de despesa e muito trabalho, arrelias e canseiras.

Para outros  é um regalo, entram, sentam-se, levantam-se, comem, levantam-se, bebem, sentam-se e por assim adiante.  Melhor mesmo é  esquecer as rabanadas, os filhós,  os  coscorões e sair, ir um ou dois dias, para um sítio escondido, onde ninguém nos possa encontrar. 

Deve ser bom e terei de pensar nisso seriamente no futuro. Afinal, a solidão ninguém nos a tira, assim, as preocupações, morrem à nascença e o gozo é bem maior.