“Somos o que fazemos… Mas somos principalmente… O que fazemos para mudar o que somos…” Eduardo Galeano
domingo, 8 de fevereiro de 2015
sábado, 7 de fevereiro de 2015
pensamentos positivos
Mau grado os atropelos, as acusações, as
mentiras e as trapaças que nos prega o destino cruel, o meu lema de vida
é:
"Mantenha seus pensamentos positivos, porque seus pensamentos
tornam-se suas palavras. Mantenha suas palavras positivas, porque suas palavras
tornam-se suas atitudes. Mantenha suas atitudes positivas, porque suas atitudes
tornam-se seus hábitos. Mantenha seus hábitos positivos, porque seus hábitos
tornam-se seus valores. Mantenha seus valores positivos, porque seus valores
tornam-se seu destino."
Mahatma Gandhi
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
O desgoverno de quem governa
O grande mal é esse, mas também analistas e politólogos serem uns zeros à esquerda em termos de economia e economia social e solidária, em relações internacionais etc...Não se pode ser um bom analista de política governamental, só porque se sabe História e as diferentes correntes políticas. Há que saber Relações Internacionais e mais a História das mesmas....há que saber estatística e saber o que se passa em cada país e qual o coeficiente de diferença entre cada um, nos diferentes itens analisados. E acima de tudo, tem que se ter distância e não ser ambíguo.
Assim, e preciso referi-lo de novo, na minha opinião pessoal, se a esquerda ganhar na Grécia, não só não sairá da União monetária, como nem vai haver tanta diferença assim na política. Nada pode mudar assim tanto. Já estão em mínimos históricos.
E as desigualdades sociais continuam galopantes. E a economia paralela continua de forma pavorosa a assombrar o caminho da democracia que eles, gregos, inventaram e nos transmitiram por legado romano.
Não posso ser grega, porque sou lusa e com muito orgulho, muito mal se tem feito neste país e não foi nos últimos 40 anos, como referem os saudosistas. Nem foi o PS que fez o mal maior, foi quem hoje é o mais alto magistrado da nação, que começou a desmantelar o país e a pagar para não se produzir.
O subsídio, é como a droga, vicia. Cria hábito, raiz e habita.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Sou existencialista e orgulho-me disso
A quanta ambiguidade de tanta gente mal resolvida que anda por aí e não apenas em termos sexuais. Como gente.
Não podemos ser Nietzschianos ou Sartrianos e acreditar em Deus ou na alma, ou no eterno retorno, etc etc etc...há quem precise pegar nos livros e voltar a estudar.
Para Sartre ou Nietzsche, apenas referindo estes dois porque são os mais citados nestas redes sociais, não existe deus, nem alma, nem a possibilidade de retorno.
Alma é a capacidade de raciocínio e memória sensorial e outras.
Aconselho vivamente a lerem.
Também não se pode acreditar e ser ao mesmo tempo existencialista.
Sei que muitas vezes choco as pessoas, mas a minha mente chegou onde está, aos 16 anos, já lá vão mais de quatro décadas.
Não devemos usar citações de Sartre, Milan Kundera, Marguerite Yourcenar ou Hannah Arendt, se somos crentes. É um contra-senso.
Para muitos serei herege, para outros louca, e sei lá o que mais.
Mas eu não sou o que as pessoas pensam, eu ou outra qualquer pessoa, sou aquilo que sou e a opinião dos outros não faz de mim o ser que eles imaginam.
Para mim, quando termina a possibilidade de os feixes eléctricos criarem raciocínio, somos apenas matéria. E acabou. Daqui que muitos cientistas dizerem que quem sofre de Alzheimer, ser um morto vivo, especialmente nas formas mais agressivas da doença.
domingo, 25 de janeiro de 2015
RECOMEÇAR
Recomeçar
em que momento da vida você cansou,
o que importa é que sempre é possível
e necessário "Recomeçar".
Recomeçar é dar uma nova
chance a si mesmo.
É renovar as esperanças na vida
e o mais importante:
acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período?
Foi aprendizado.
Chorou muito?
Foi limpeza da alma.
Ficou com raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las um dia.
Sentiu-se só por diversas vezes?
É por que fechaste a porta até para os outros.
Acreditou que tudo estava perdido?
Era o início da tua melhora.
Pois é!
Agora é hora de iniciar,
de pensar na luz,
de encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Que tal um novo emprego?
Uma nova profissão?
Um corte de cabelo arrojado, diferente?
Um novo curso,
ou aquele velho desejo de aprender a pintar,
desenhar,
dominar o computador,
ou qualquer outra coisa?
Olha quanto desafio.
Quanta coisa nova nesse mundão
de meu Deus te esperando.
Tá se sentindo sozinho?
Besteira!
Tem tanta gente que você afastou
com o seu "período de isolamento",
tem tanta gente esperando apenas um
sorriso teu para "chegar" perto de você.
Quando nos trancamos na tristeza nem
nós mesmos nos suportamos.
Ficamos horríveis.
O mau humor vai comendo nosso fígado,
até a boca ficar amarga.
Recomeçar!
Hoje é um bom dia para começar
novos desafios.
Onde você quer chegar?
Ir alto.
Sonhe alto,
queira o melhor do melhor,
queira coisas boas para a vida.
pensamentos assim trazem para nós
aquilo que desejamos.
Se pensarmos pequeno,
coisas pequenas teremos.
Já se desejarmos fortemente o melhor
e principalmente lutarmos pelo melhor,
o melhor vai se instalar na nossa vida.
E é hoje o dia da Faxina Mental.
Joga fora tudo que te prende ao passado,
ao mundinho de coisas tristes,
fotos,
peças de roupa,
papel de bala,
ingressos de cinema,
bilhetes de viagens,
e toda aquela tranqueira que guardamos
quando nos julgamos apaixonados.
Jogue tudo fora.
Mas, principalmente,
esvazie seu coração.
Fique pronto para a vida,
para um novo amor.
Lembre-se somos apaixonáveis,
somos sempre capazes de amar
muitas e muitas vezes.
Afinal de contas,
nós somos o "Amor".
Paulo Roberto Gaefke
Via Pensador
"E não do tamanho da minha altura."
"E não do tamanho da minha altura."
" Releio
passivamente, recebendo o que sinto como uma inspiração e um livramento,
aquelas frases simples de Caeiro, na referência natural do que resulta do
pequeno tamanho de sua aldeia. Dali, diz ele, porque é pequena, pode ver-se
mais do mundo do que da cidade; e por isso a aldeia é maior que a cidade...
"Porque eu
sou do tamanho do que vejo
Frases como
estas, que parecem crescer sem vontade que as houvesse dito, limpam-me de toda
a metafísica que espontaneamente acrescento à vida. Depois de as ler, chego à
minha janela sobre a rua estreita, olho o grande céu e os muitos astros, e sou
livre com um esplendor alado cuja vibração me estremece no corpo todo.
"Sou do
tamanho do que vejo!" Cada vez que penso esta frase
com toda a atenção dos meus nervos, ela me parece mais destinada a reconstruir
consteladamente o universo. "Sou
do tamanho do que vejo!" Que grande posse mental vai
desde o poço das emoções profundas até às altas estrelas que se reflectem nele
e, assim, em certo modo, ali estão."
Nota: Pessoa, na
"pele" de Bernardo Soares, um seu heterónimo, escreve sobre Alberto
Caeiro, outro dos muitos heterónimos, in «O guardador de rebanhos»
Livro do Desassossego, Bernardo Soares um dos muitos heterónimos de Pessoa
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
A paz natalícia não é para todos
Uma das razões porque não aprecio certas épocas é pelo que
elas se tornaram, em interesses quase apenas comerciais.
Na véspera de Natal ouvi duas conversas, em sítios bem diferentes e ambas
sobre o mesmo assunto. Pessoas que preferiam estar a trabalhar do que a ter de passar
o Natal em família. Porque uns não dão
nada, outros só se vêm no Natal ou nos funerais, discutem, reclamam, chegam a
degladiar-se verbalmente....fiquei a pensar exactamente o contrário do que
pensava....julgava eu que a minha família, apesar de todos os ensinamentos e
comemorações, partilhas que houve desde o nascimento até à saída dos filhos de casa, que a minha família, tinha
chegado a um ponto de quase não retorno.Cada um funda a sua própria família e nunca obriguei nenhum a seguir tradições ou obrigações
Afinal, acredito que o que dei mesmo demais foi liberdade.
Liberdade de escolha, de credo, de escolherem áreas de estudo. Mas hoje acusam-me disso tudo, como se fosse desinteresse.
Liberdade de escolha, de credo, de escolherem áreas de estudo. Mas hoje acusam-me disso tudo, como se fosse desinteresse.
Não, prezo demais a liberdade, pude escolher, mas há quem não entenda e precise da muleta, da escolha do outro para jogar à cara se houver falhanço. Mas se não são pressionados e têm liberdade, então é o contrário....viram-se na mesma dizendo, não te preocupaste, não quiseste saber.
Invariavelmente respondo a mesma coisa, pelo contrário, dei-te o livre arbítrio para puderes escolher sem pressão.
Até na religião. Fui obrigada a fazer catequese, comunhão, crisma etc. Mas não obriguei, nada fizeram disso.
Hoje sou acusada por um dos filhos, de não lhe ter dado bases de religião, não consegue entender que é exactamente o contrário. Pergunto-me, como pode isto acontecer a alguém como eu.
Eu sufocaria sem liberdade.
Há dias estava a ver num dos Telecines, um filme que recomendo, Philomena (
Filonema), baseado numa história real, uma de muitas, dei-me conta de que tudo que conta mesmo são as nossas vivências, os
nossos sentimentos, aquilo que registamos.
Mas mesmo esses nunca estão isentos da influência do mundo exterior, das influências que outros nos incutem, por mais que queiramos ser isentos, por mais que sejamos diametralmente opostos a todas essas influências. Somos tantas vezes, uma soma de contrários e por isso não somos linearmente aquilo que julgamos ser, nós próprios.
Mas mesmo esses nunca estão isentos da influência do mundo exterior, das influências que outros nos incutem, por mais que queiramos ser isentos, por mais que sejamos diametralmente opostos a todas essas influências. Somos tantas vezes, uma soma de contrários e por isso não somos linearmente aquilo que julgamos ser, nós próprios.
Por mais que queiramos ficar apenas
contemplando o que se passa à volta, somos forçados a entrar na roda, tantas
vezes em detrimento próprio e apenas para satisfazer os outros, ou os seus desejos, porque eles próprios sozinhos são incapazes,
por ignorância ou não saber, obrigam a quem podem manipular através até de pequenas chantagens, a fazero avesso do que se pensa.
Assim, podemos jurar a pés juntos não ir a determinado local, mas lá aparece um sms ou um telefonema,ou um recado por interposta pessoa...aparece um pedido, "as tua netas, gostavam de ter isto ou aquilo, podias dar-lhes, assim elas ficavam mais contentes..."...e o fino propósito de não ir aqui ou ali, vira num pequeno pesadelo, por vezes, discussão, almoço fora de casa, correria porque há quem trabalhe a diferentes horários. E mais uma desilusão. Mais qualquer coisa que fomos obrigados a fazer na mera tentativa para agradar a quem nos aponta o dedo, pelas coisas mais absurdas. Depois, recebe-se um telefonema. Olha passamos aí depois do ano novo Não podemos ir antes. Bom natal para vocês...portem-se bem...
Que raio de treta. Por vezes quer-me parecer que em vez do muito cházinho aos meninos, lhes devo ter dado estricnina, já que conseguem envenenar a coisa mais simples e sem importância.
Natal, deveria ser redenção, louvor, paz, família, união, foram esses os valores que me transmitiram e que eu passei, Natais já foram, hoje, volvidos muitos anos, vejo que foram erradamente vividos. Viviam-se os presentes, as azáfamas das compras, com as listas de cada um, tentando que nada falhasse...e foi aí o grande erro.Hoje tenho a certeza.
Hoje o natal perdeu brilho, este ano nem árvore fiz, nem o presépio maior, era tradição comprar-se musgo e os miúdos faziam, com caminho, plantas, luzes etc.Existem muitas figurinhas. Não, apenas um pequenino que já vem na cabana e tudo. Meia dúzia de bolas douradas e vermelhas penduradas nos braços dos candeeiros, e nada mais.
O brilho e a cor da casa de antigamente, com músicas de natal, ainda temos uns dez ou mais CD's ....passou. Foi noutro século. Para quê recordar?
Sempre me lembro de ouvir os mais velhos dizer que o que não tinha remédio, remediado está.
Assim, que venham muitos natais, muitos fins de ano, mas na paz da solidão, porque essa traz, bons livros, bom jazz, bons filmes e a merecida serenidade, vividos numa paz mais do que merecida, mesmo que com muitas horas onde apenas estou eu e os meus "filhos" de quatro patas.
Sempre se compra para muitos, a comida e a bebida sobram sempre... depois andamos vários dias, a retirar da geleira, aquilo que ninguém comeu, porque simplesmente não apareceu.
Por isso, acredito perfeitamente que tanta gente e aquelas duas conversas que mencionei bem no início, tenham fundamento.
Dei-me conta pelas notícias que começam a aparecer inúmeras famílias, sejam elas de um ou muitos membros que desaparecem nestas épocas. Se me perguntam, até concordo.
Passam a consoada, dormem e o dia de Natal, num qualquer hotel ou herdade, fora da linha do horizonte de quem lhes pode estragar o sossego.
Claro que há quem trabalhe por horários rotativos e nunca possa tirar férias nessa época. E esses são dos tais, que preferem estar a trabalhar, a ter a casa cheia de barulho, tudo desarrumado, a mãe a trabalhar para todo. Já os outros, os que comem, tudo virado e vidrado nos ecrãs dos telemóveis, tablets ou computadores...porque na realidade, Natal mesmo, não é para todos e para alguns é apenas sinónimo de despesa e muito trabalho, arrelias e canseiras.
Para outros é um regalo, entram, sentam-se, levantam-se, comem, levantam-se, bebem, sentam-se e por assim adiante. Melhor mesmo é esquecer as rabanadas, os filhós, os coscorões e sair, ir um ou dois dias, para um sítio escondido, onde ninguém nos possa encontrar.
Deve ser bom e terei de pensar nisso seriamente no futuro. Afinal, a solidão ninguém nos a tira, assim, as preocupações, morrem à nascença e o gozo é bem maior.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
Gosto mesmo, é das segundas feiras
Não
gosto de sextas-feiras, nunca gostei.. Quando era mais nova e até
gostava de ir às aulas, era o último dia de aulas da semana...o meu dia
preferido é mesmo segunda-feira e se me perguntam porquê, nem sei, mas
tem tudo a ver com recomeços. Como adoro mudanças, mudar de casa, sair
de uma cidade para outra, viajar, acho que deve ser por isso.
Não aprecio saídas à noite, por isso o fim de semana, é sempre o que costumo chamar de atropelo. Muita gente em todo o lado. Somos mal servidos onde quer que vamos, no cinema há imenso barulho, pipocas pelo chão, gente que fala alto, pessoas barulhentas que se julgam donas de tudo....supermercados com filas de gente com muito pouca paciência, os famosos grupinhos de gente jovem que vai às compras para as festas de fim de semana ( aqui onde moro há muito esse hábito), música ou espécies de música que jorram dos altifalantes de todo o lado, misturados com os gritos e a publicidade, as buzinas dos carros a protestar por um lugar de parque....ufa, minha rica semana.
Deve ser por estar mais velha e ter tido de certo modo uma vida com muita gente e muito barulho, hoje prezo tanto o silêncio dos meus passeios, da minha solidão em casa, sozinha ou mesmo com o cara metade que adora ver filmes no sossego da casa, com os meus patudos, a minha música e o silêncio de lá de fora, que até já me conformei com o facto de parte da minha casa estar virada a nordeste.
É a zona onde há silêncio, onde não tem estrada, há verde, um jardim que plantei quando para aqui vim e hoje me dá uma bela paisagem quando abro as muitas janelas da casa.
Se me levantar bem cedo, vejo o nascer do sol por entre as árvores e de facto, apesar de um pouco fria nesse lado, esta casa é muito espaçosa, silenciosa, tem uma luz única, que pela manhã entra até meio dela, mas depois é reflectida por tudo à sua volta e entra difusa e em cambiantes belos e serenos.
Durante algum tempo andei com a mania de mudar, hoje acredito que vim até ela e a vim ver umas quatro vezes antes de a comprar, a horas diferentes, porque nem foi apenas o seu enorme espaço que me encantou, foi esta luz fantástica que me acompanha pelo dia fora....e que me anda a dar vontade de voltar a pintar!
Deste lado a nordeste, tanto é fresca, nem diria fria de inverno, como quente, muito quente mesmo, no verão.
Já do outro lado da casa, é quente e só usa calorífero quem não estiver bem da cabeça.
Bate o sol até às quatro da tarde, directo, tão forte que por vezes há necessidade de baixar os estores, um pouco para refrear o efeito do sol tão forte sobre tudo e criando um ambiente demasiado desigual entre as duas partes da casa.
Só em dias como hoje talvez, seja preciso algum aconchego de calor. é que o dia hoje está absolutamente cinzento, depois de um final de outono seco e muito frio, mas com uma céu azul radiante de beleza e sem nuvens, hoje voltámos ao cinza. Vem por aí chuva de novo.
No fundo, são três ou quatro meses de tempo mais frio, contas bem mais altas de electricidade e a possibilidade que anda não foi descartada, de colocar uma salamandra.
Levo tanto tempo a decidir as coisas....
Comecei falando nas sextas-feras e acabo falando do meu espaço, onde adoro recolher-me dos barulhos e gentes lá de fora. É quase ponto assente que aos fins de semana, escusam de me convidar a sair.
Cada vez estou mas avessa a esse burburinho de gente que, tal como eu, numa longa época da minha vida, trabalhava toda a semana dentro e fora de casa, cuidando de ganhar parte do sustento da família e cuidando da mesma família.
Hoje preciso deste silêncio e desta calma, para conseguir sobreviver, não às minhas memórias, mas ao muito que hoje não posso e não quero pensar, que seja a realidade da minha vida, com a certeza de que décadas de esforço, trabalho, sofrimento, dedicação, de nada valeram, de nada serviram e eu hoje tenho de reconhecer que houve uma falha, uma enorme falha algures, por que em vez de amigos, criei inimigos e em vez de filhos, criei estranhos.
Essa é sem sombra de dúvida a minha maior tristeza e a razão principal porque não gosto dos finais de semana.
Já foram vividos na plenitude, hoje apenas restam os silêncios.
Não aprecio saídas à noite, por isso o fim de semana, é sempre o que costumo chamar de atropelo. Muita gente em todo o lado. Somos mal servidos onde quer que vamos, no cinema há imenso barulho, pipocas pelo chão, gente que fala alto, pessoas barulhentas que se julgam donas de tudo....supermercados com filas de gente com muito pouca paciência, os famosos grupinhos de gente jovem que vai às compras para as festas de fim de semana ( aqui onde moro há muito esse hábito), música ou espécies de música que jorram dos altifalantes de todo o lado, misturados com os gritos e a publicidade, as buzinas dos carros a protestar por um lugar de parque....ufa, minha rica semana.
Deve ser por estar mais velha e ter tido de certo modo uma vida com muita gente e muito barulho, hoje prezo tanto o silêncio dos meus passeios, da minha solidão em casa, sozinha ou mesmo com o cara metade que adora ver filmes no sossego da casa, com os meus patudos, a minha música e o silêncio de lá de fora, que até já me conformei com o facto de parte da minha casa estar virada a nordeste.
É a zona onde há silêncio, onde não tem estrada, há verde, um jardim que plantei quando para aqui vim e hoje me dá uma bela paisagem quando abro as muitas janelas da casa.
Se me levantar bem cedo, vejo o nascer do sol por entre as árvores e de facto, apesar de um pouco fria nesse lado, esta casa é muito espaçosa, silenciosa, tem uma luz única, que pela manhã entra até meio dela, mas depois é reflectida por tudo à sua volta e entra difusa e em cambiantes belos e serenos.
Durante algum tempo andei com a mania de mudar, hoje acredito que vim até ela e a vim ver umas quatro vezes antes de a comprar, a horas diferentes, porque nem foi apenas o seu enorme espaço que me encantou, foi esta luz fantástica que me acompanha pelo dia fora....e que me anda a dar vontade de voltar a pintar!
Deste lado a nordeste, tanto é fresca, nem diria fria de inverno, como quente, muito quente mesmo, no verão.
Já do outro lado da casa, é quente e só usa calorífero quem não estiver bem da cabeça.
Bate o sol até às quatro da tarde, directo, tão forte que por vezes há necessidade de baixar os estores, um pouco para refrear o efeito do sol tão forte sobre tudo e criando um ambiente demasiado desigual entre as duas partes da casa.
Só em dias como hoje talvez, seja preciso algum aconchego de calor. é que o dia hoje está absolutamente cinzento, depois de um final de outono seco e muito frio, mas com uma céu azul radiante de beleza e sem nuvens, hoje voltámos ao cinza. Vem por aí chuva de novo.
No fundo, são três ou quatro meses de tempo mais frio, contas bem mais altas de electricidade e a possibilidade que anda não foi descartada, de colocar uma salamandra.
Levo tanto tempo a decidir as coisas....
Comecei falando nas sextas-feras e acabo falando do meu espaço, onde adoro recolher-me dos barulhos e gentes lá de fora. É quase ponto assente que aos fins de semana, escusam de me convidar a sair.
Cada vez estou mas avessa a esse burburinho de gente que, tal como eu, numa longa época da minha vida, trabalhava toda a semana dentro e fora de casa, cuidando de ganhar parte do sustento da família e cuidando da mesma família.
Hoje preciso deste silêncio e desta calma, para conseguir sobreviver, não às minhas memórias, mas ao muito que hoje não posso e não quero pensar, que seja a realidade da minha vida, com a certeza de que décadas de esforço, trabalho, sofrimento, dedicação, de nada valeram, de nada serviram e eu hoje tenho de reconhecer que houve uma falha, uma enorme falha algures, por que em vez de amigos, criei inimigos e em vez de filhos, criei estranhos.
Essa é sem sombra de dúvida a minha maior tristeza e a razão principal porque não gosto dos finais de semana.
Já foram vividos na plenitude, hoje apenas restam os silêncios.
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