segunda-feira, 30 de abril de 2018

Viver o dia a dia na solidão que nos deixaram



Levantei cedo depois de uma noite de seis horas na cama ... noite plena de pesadelos. Parece que guerreei toda a noite com fantasmas. Fiquei sem vontade de nada, tal o cansaço que sentia ao levantar. Parecia que tinha sido travado uma batalha dentro de mim. Depois da morte de minha mãe, que nunca me amou como eu a ela, parece que algo se apagou em mim. Falta-me os telefonemas, fazem-me falta as teimosias dela, o querer sempre ser a dona da verdade,mesmo que dissesse tanta mentira. Até das suas mentiras e do querer sempre ser o centro das atenções, sinto ausência. Há um vazio que não sei como preencher. O meu coração está magoado com a vida. É tudo tão falso e sofrido para quem não mente, para quem não usa de subterfúgio e se entrega inteiro à vida...Ainda estou doente, física e no meu coração e já vai mais de um ano. Cheia de problemas na minha carcaça que fica velha a cada dia que passa. Triste como a noite de trovões, certamente esses são mais belos do que tanta gente que se tem cruzado comigo, toda a vida, mas recentemente e por via das circunstâncias, pior.
As pessoas são más, fingidas, mesquinhas, interesseiras, e tentam fazer dos outros, tolos.Conhecer quem com ela privou e a quem chamava amigas e agora que se foi, todos sentem um misto de falta e alívio, pela sua prepotência, pelo seu complexo de superioridade, mal do que sofria de forma exacerbada. E nem percebia que fatigava as pessoas.Mas eu até dessa fatiga tenho saudades. O telefonema quase diário de uma para a outra, findou, o telefone silenciou.E invadir a privacidade da sua intimidade ao ver fotos, ler papelada, é como um tsunami em mim.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Por um sábado sereno

Há coisas que não têm preço, a minha paz, num sábado de manhã em que os únicos ruídos são o silvo do enorme aquário a um metro de mim e o avião no céu....o dia propicia ao silêncio e introspecção, à calma e solidão.
Sozinha mas não abandonada, na companhia dos meus amados patudos, comungo deste deleite. Hoje e agora, nem uma serenade de Schubert ou a Tristesse de Chopin cabiam. Só nós e as memórias de outros tempos com risos e gargalhadas, choro. gritos, alegrias e vidas que se cruzaram e que de mim saíram, e que depois ganharam asas e voaram para as suas próprias vidas, ficámos nós, como rochas solitárias, mas não estéreis, ficámos e ficaremos, como um garante de um sempre possível retorno. Assim precisem. Até as zangas e arrelias, os maus humores matinais, os ares de desalinho depois de saídas, as " cenas" do "não quero isto, porque fizeste aquilo, sabes que prefiro, não tens? Mãe, sabes que eu detesto isso....mãe, já fizeste o café? Dá-me um balde dele"....tudo nos faz falta, tudo ficou como memória e é no silêncio que se surgem como memórias vivas e recentes, de uma vida que passou demasiado depressa, e que guardamos como jóias de ouro, que poucos conseguem ter como seus. Só quem passou pela dádiva da maternidade sabe dar o valor. Podemos escrever livros, ser experts nisto ou naquilo, mas nada, absolutamente nada ultrapassa essa dádiva, que espero os meus tenham a sorte de passar e viver, pelo menos uma vez. O resto, como diz o poeta, não tem valor, é puro ruído!!
Desejo a quem está  ou passa por aqui, e lê....😌o que escrevo, um bom e sereno sábado. Simples assim, como uma bela rosa branca, serena na sua solidão de um dia de chuva miudinha, céu cinzento pérola, frescote mas ainda assim, com a sua beleza e nostalgia. 


Há algo que tem a mais, eu aqui partilhando sentimentos e quem aqui passa lendo, é que estamos vivos !!!



terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Jejum intermitente, eu sou adepta !



Promover o nosso bem estar físico e psíquico é absolutamente essencial.  Se não estivermos bem, como podemos ver o belo ao nosso redor??
Eu não vou em modas, mas os meus familiares e amigos que vêm cá a casa sabem que, quando sinto qualquer tipo de mau estar, ou sinto que um órgão digestivo está a funcionar mal, fico horas sem comer. E a dor passa e o mau estar desaparece. 

Não me convence esta moda de alguns # iluminados# na maioria brasileiros seguidos por milhões de pessoas, boa parte delas sem vontade própria, a fazer isto ou aquilo.
O jejum intermitente é até usado pela NASA na dieta dos astronautas, para que o estômago se habitue a comer muito menos e nunca ficar cheio.
Ter refeições fixas e a horas certas, é promovido por muitos dietistas para que o organismo se # organize# mas, a noite tem de ser de jejum total, apenas água, ou seja, no espaço de dez horas mínimo não se ingere nada.
Faço isso inúmeras vezes.
Sem nunca deixar de comer, (e por ter sido mãe de várias crianças, e assim não ter o corpo que tinha aos 20 anos), já emagreci 12 quilos e perdi 16 centímetros de volume abdominal e de bunda.
Também há quem diga que o pequeno almoço deve ser tomado cedo para que a enzima que emagrece, seja despoletada.
Nâo acredito. Inúmeras vezes só bebo água pela manhã, umas vezes só água, outras, água e sumo de limão que agora compro biológico ou com meia colherzinha de bicarbonato de sódio.
Outras vezes, levanto e só pelas onze e muito da manhã como fruta e um pouco de pão de alfarroba e abóbora, quinoa etc...e um café. Ou um crepe de aveia apenas com um pouco de leite de coco ou amêndoa e canela.
O estar em jejum por horas, promove o bem dos órgãos que assim entram num estádio de regeneração, como não temos necessidade de comer tanto. Um adulto semi sedentário vive bem com 1700 calorias e até um pouco menos, sem por em risco quaisquer funções vitais e o organismo, a pouco e pouco, vai buscar às reservas, geralmente nas paredes abdominais, a gordura que ali se instala.
Pratico o jejum há décadas e sei o valor que tem para mim e o bem estar físico e psíquico que promove em mim. Durante o chamado jejum pdemos beber água e ou chás sem açúcar.
Uns dias como muitas vezes menos de 1000 calorias, outros ultrapasso os dois mil. Depende do meu objectivo para esse dia.
Num dia em que quero controlar a dor intensa,  eu vou usar mais fruta e chás do que comida mesmo. Porque a comida mais forte, vais dar proteína que me vai acentuar essa dor. Por isso sou adepta incondicional do jejum.

No meu caso, sofro de dor crónica, devido a problemas que tenho músculo esqueléticos. Controlo sem medicamentos, e a dor nunca passa de un 5/6 em máximo, numa escala de dor que vai a dez. 
Porque consigo controlar e fazer  barreira para que a não sinta mais forte. 
O controle de tudo está em nós. 
Até da solidão, do sofrimento e de ter felicidade, mesmo num momento em que apenas abrimos a pestana pela manhã, ganhámos mais um dia. 
No dia a dia a minha dor controlada, anda pelo 2/3....

Podemos muito bem sobreviver e até conseguir objectivos de controle do nosso organismo, comendo sopas, legumes e um punhado de frutos secos.
Nesse caso nunca ultrapassamos as 800 / 1200 calorias. 
E se sentimos fome, podemos sempre comer um prato de sopa de legumes, que nunca ultrapassa 150/200 calorias, para colmatar a fome e uma hora depois bebemos uma tisana calmante a fome desaparece e o organismo regenera. 

Do mesmo modo, podemos usar o nosso cérebro para eliminar ou faz o controle no nosso organismo para que não nos peça comida por hábito, vamos também tomando controle noutras áreas.
Pelo muito que escrevi acima, recomendo e, vivamente!!

https://www.scimed.pt/geral/jejum-intermitente-dieta-inteligente-ou-mais-uma-moda-sem-evidencia/


domingo, 21 de janeiro de 2018

Pertencer ou não ao rebanho

A vida nunca é o que parece. 
Há quem olhe para o lado quando vê um necessitado e finja que não estava lá ninguém, porque para ele, esse pobre não é ninguém.

Há quem dê parte do que tem. 
E há os que se dizem tementes a Deus ( que Deus é esse que só olha o indiferente e que perpetua o mal e a indiferença??) são sempre e invariavelmente os que nunca dão nada e a ninguém.

Há quem ache que os murais nas redes sociais sejam apenas para auto promoção, vender a imagem que mais ninguém liga a não ser os que são iguais, outros mostram uma realidade  inventada de si próprios, outros tentam vender-se,  tal a solidão em que vivem, mendigando atenção, um aceno, um like/gosto. 
As pessoas andam na rua com os olhos cravados num ecrã, seja ele pequenito ou enorme, estilo tijolo que carregam como penitência. 



Há ainda os que dão lições de tudo mesmo sem serem mestres, ou por defeito de profissão. 
Casos mal resolvidos ou tentativas de que é por aí, copiando manuais ou artigos sobre este ou aquele, se pode tentar eliminar a incultura....mas esquecem que a a maioria das pessoas nem lê o que se escreve, colocam like/gosto,  mesmo sem  entenderem o que lá está.  Assim parecem mais espertos.

Outros clamam por justiça para os que precisam de ajuda, para causas, para os pobres, os animais, os pobres dos refugiados que afinal nem querem ficar por cá.
Só que a exemplo de todos os outros, os que se mostram, se vendem, vendem livros, vendem arte, vendem móveis e quinquilharia, quem vende ideia, acções, quem pede ajuda para causas, é ainda menos ouvido que os outros. 

O mundo está estruturado para o mal e para os que se vendem, mesmo que todos os critiquem nas costas. O mundo é dos alienados. As pessoas tentam obter amizades de outros, mesmo sem os conhecerem de parte nenhuma, só porque alguém a quem admiram ou invejam os tem como amigos.

Outros tentam formar um círculo de pretensos intelectuais, que se aglutinam em grupos e gostam todos do que todos publicam, mesmo que seja uma grande trampa.  E fazem caixinha quano há aquelas notícia sbombásticas e sempre sobre a homosexualidade  e assuntos inerentes....ou sobre aborto e adopção porcasais homosexuais...
Atraem-se em grupinhos e bajulam-se uns aos outros para receber alguma atenção....os queridos a mostrar os # maridos #  e os dotes de  # bons/ boas donas de casa...# como o mundo mudou, como se perdeu tudo o que está relacionado com algum recato e decência. 
Hoje fazem alarde de vir a público , se for preciso, dizer quantas # quecas # dão por semana....quem precisa disso, a meu ver, está muito mal.

E é isto, o resumo do que se passa  todos os dias e nas diferentes redes sociais....segues-me,  eu sigo-te, Compras a trampa do meu livro igual a milhares de outros, eu dou-te a minha # amizade #...

Haja aquele que sai do rebanho e é posto de parte, todos lêem e até copiam, mas ninguém diz nada... 
Até escritores, fracos, # benza-os Deus # como diria a beata de uma das minhas tias, se vão inspirando nos escritos de uns e outros, porque os seus fusíveis há muito fundiram e o veio da  inspiração já era...

Resumindo,  cada dia tenho mais honra, mais me enaltece o facto de não pertencer a  qualquer destes rebanhos. Podem acreditar, sinto honra.
Porque é disso que se trata, viver em rebanho, onde ter vontade própria, carácter e pensar pela sua cabeça, é visto com um desaforo....seres que são # ave rara #...e a mim, a cada dia, mais me repugna o ponto a que esta sociedade chegou!!

Vive-se de uma forma vazia, sem conteúdo. Tudo é imediato. Tudo parece oco e sem textura. Será que só eu vejo ou apenas a minha idade, me dá dá a qualidade de avaliar os antes e o agora??




terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Adoro segundas-feiras

Gosto de segundas-feiras. Mas tem uma razão.
Fim de semana em jovem simbolizava que parte dele era a ajudar a mãe, que tinha filhos mais pequenos. 
Quando fui mãe e trabalhava  em Lisboa, a meia hora de comboio, mais o do metro, uns 50 minutos,  eram de regeneração. 
No comboio e depois de uma noite sempre mal dormida ( dormi anos a fio pouco mais de  três horas e meia, não dava para mais... )  até passava pelas brasas. 

Os fins de semana deixavam-me esgotada. Melhor, morta!!
Porque viver custa e muito e especialmente quando se tem uma carga de trabalho, muitas crianças, que nessa altura crescem depressa, mas que muito mais tarde queríamos pequenos de novo. 

Digam lá se não é verdade ?? Quanto davam vocês para ter os miúdos de novo muito antes de serem adolescentes, na idade em que os pais são tudo, são os deuses??

Hoje,  para fugir à regra, com uma broca no apartamento do lado, mas  que posso fazer? Casas de trinta anos quando são compradas  vão para obras... a minha já foi também !

Por isso hoje e só por isso, não foi o tal dia de meditar e serenar, mas ainda assim, com os auscultadores,  ouvindo música,  lendo jornais, minimizou bastante e verdade seja dita, as obras não duram para sempre.


Por isso as segundas feiras agora, continuam a ser a regeneração.
Um hábito que ficou. Calma para ir devagar e serena pela semana fora... tomara que eu ainda tenha milhares de semanas pela frente e muitas segundas-feiras. Não é pedir demais, pois não??

Desejo-vos, uma semana de paz, quero a minha menos fria ( impossível porque segundo parece  a temperatura  ainda vai descer  mais )!!




Que seja de paz e harmonia, seria bem que fosse em todo o mundo. 
Boa semana!!

Ilustração via Google imagens

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

É tempo de Renascimento e de solstício de Inverno



Há pessoas que só porque somos diferentes acham que somos animais raros, ou pessoas estranhas, meio bruxas, meio alienadas, só pelo facto de o nosso "padrão" ter saído diferente na imaginária linha de montagem do tempo...tempo esse que não existe, é circunstância que o homem criou para datar os acontecimentos e linha de montagem que desconhecemos a origem, como se processa, quem a maneja, porque saem uns assim, como carta fora do baralho....ou será que afinal tudo não passa de ilusão e os deuses jogam mesmo aos dados??

E se eu tive uma educação católica quando criança, fiz tudo até à comunhão solene.
Com um pouco de esforço ainda recordo pedacinhos de algumas "orações" que fui obrigada a aprender, aliás, a decorar.Mas tudo fazia contra minha vontade, apesar disso, meu pai, ateu convicto, nunca impediu !
Tal como não impediu o baptismo de meus irmãos, porque apesar de ser um homem extremamente solitário, como eu aliás, ele adorava reunir família e amigos e essas eram ocasiões para o fazer, mesmo que nem por isso, pelo melhor motivo.
Quando aos 13 anos comecei a ler Virgil Georghiu, Tolstoi, Henry Miller, John Steinbeck, e todos os grandes clássicos, de Doistoievsli a Soljenitsin ( emprestados por um amigo mais velho com a promessa de nunca falar dos livros...) e logo em seguida, comecei a estudar Filosofia, foi como se uma cratera se tivesse aberto e tudo o que tinha aprendido em criança, deitei lá dentro. Tudo mudou dentro de mim, nunca mais fui a mesma, nunca mais igual. Tudo passou a ser tão óbvio e claro e perguntei-me como acreditam as pessoas em tanta mentira que estrutura a educação de muitas crianças ainda hoje, em pleno século XXI ?Por ter lido tanto sobre o Holocausto por exemplo, e sobre tudo o que se fazia nos campos, é que hoje me surpreende o procedimento de Israel em relação à Palestina. Como podem eles os judeus, que tanto sofreram, proceder daquele modo contra quem apenas tem outra religião?As minhas convicções são fortes e ninguém ou qualquer circunstância as vai abalar, ao contrário de meu pai, ateu convicto e que dizia que a Igreja é uma farsa e um covil de gente pecaminosa onde todos os grandes pecados são cometidos, eu sou panteísta, até ao núcleo de cada célula do meu corpo. Não quer com isso dizer que eu não festeje o Natal. Afinal ele simboliza a festa depois do Solstício de Inverno e o renascimento de tudo, da natureza, mas também de nosso corpo, tudo quanto existe, que de novo entra no ciclo de renascer, reflorir, brotar! É aí que as pessoas, algumas com quem convivo, não me entendem. Faz-me muita confusão as pessoas não aceitarem as convicções dos outros só porque não pensam igual.E eu adoro ser diferente!!
Boa quinta-feira a quem ainda passa aqui!!


Grata pelas mensagens, eu estou bem, há muito não me sentia tão bem.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Para mim Natal era antigamente !!




Cada ano que vai passando me vou afastando mais do que se chama a quadra, ou aliás, como as pessoas a vivem.
Para mim Natal era antigamente, em duas épocas distintas, mas muito importantes. 

Quando era criança e toda a família junta,  com pais, avós e tios, primos, tudo à mesa, tudo a ajudar a descascar batatas, abóbora, a arranjar os grelos e as couves, a descascar os nabos e as cebolas, a ajudar a avó a dar duas ou três voltas com a enorme colher de pau, à massa das filhós ou do pão ou da broa.. com  as jarras com azevinho e um pinheiro que se tinha ido cortar ( falta de consciência) aos nossos pinhais....e se enfeitavam de pompons de lã, bolinhas de algodão e os enfeites vendidos nas feiras.  
Quando se ia  com uma caixa de madeira buscar o musgo lá também aos pinhais e se trazia pinhas caídas para fazer a estrutura da gruta do presépio, ( para o menino Jesus não ter tanto frio....como dizia meu avozinho, católico fervoroso e temente a Deus.)...e o "cheiro"  do Natal  se misturava com o das filhós e rabanadas, coscorões e aletria. e o da comida que haveria de se comer depois da vinda da missa do galo...havia no ar, como que uma santidade, um perfume que jamais esquecerei.

Presépio, o de casa dos avós, que era feito no chão da sala da avó e toda a gente vinha ver de tão lindo.  E depois lá vinha o padre e o sacristão, buscar a dizima ou lá como se chamava, e comer umas e outras e beber vinho abafado que a avó fazia com ameixas e laranjas...tocavam a sineta,  à porta e lá entravam...quando acabavam a volta, o padre e o sacristão, estavam comidos para 48 horas... e que mal se tinham em pé de tanto cálice de abafado terem bebido... 

E depois quando já adulta e com a minha prole, tentava replicar as minhas recordações mas  num apartamento, já sem os tios, ou os avós, todos  há muito falecidos, mas com a família que eu tinha gerado.
Esses natais, eram também lindos, mas eu não sou hipócrita, não tinham a magia de outrora, onde a riqueza era tida como pecado....e eu não tinha sido capaz de transmitir aquele espírito que me deram a mim,  eu não o consegui passar...estes natais eram de prendas, de muito trabalho para mim ( só eu sabia fazer as coisas e dava a amigos e vizinhos que nunca tinham sido ensinados a fazer as doces iguarias)... durante anos, lá saíam de minha casa, apesar de ser uma jovem, travessas com filhós, coscorões e rabanadas,  para oferecer .

Com a idade e a minha consciencialização de que o mundo é falsidade e que tudo o que luz é tudo menos ouro, os natais foram esmorecendo. 

Os filhos deixaram de estar connosco, Uns porque criaram as suas famílias outros porque preferiam ficar com os namorados, e a quadra passou a ser vivida a dois e aos de quatro patas.
Por isso este ano ainda não enfeitei nada. 
De ano para ano. tem vindo cada vez mais para menos....claro que vou colocar algo, afinal Natal também é para estes que ainda cá estão. mesmo sozinhos e só com os filhos de quatro patas.

E ainda hei-se conseguir recriar, esses outros natais, os de antigamente, mesmo que apenas com amigos e vizinhos, quando voltar e for viver de novo para o campo. 

A nossa meta. minha e de meu companheiro de uma vida, ir viver na calma do campo,  antes de partir e virar pó estelar.
Mas antes disso, ainda havemos de experimentar estar num paquete e num hotel, para ver como vivem os outros, ao que a família também não está presente, ou que apenas querem comemorar mas sem se chatear a estar numa trabalheira infernal. Ao fim de uma vida de trabalho e tão pouco reconhecimento. temos esse direito. Merecemos.


Apesar de não crente, na verdade, o Natal não é de todo uma festa de família, é uma festa de renascimento e hoje eu sei melhor que ninguém que não se trata de religião, mas de vida, do que se fala no Natal. E nós queremos muito viver muitos mais anos e celebrar muitos outros Natais. Que é como eu acho, a festa da vida, do renascer, um solstício dá origem a uma nova etapa de vida ao renascer de tudo.

Por isso, desejo a todos os que ao longo destes anos aqui têm vindo ler o que escrevo ou  o que partilho,  um feliz Natal,  seja  esse período vivido a solo ou com muitos ao vosso redor, mas que seja de paz, de harmonia dentro dos nossos corações e que,  essencialmente, tenhamos saúde e esperança em dias melhores e por um mundo mais igual e sem guerra.


Feliz Natal amigos!!

GR






Arte naif de Alessandra Placucci

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Felicidade é uma questão de escolha


Podemos ter momentos de felicidade. Mas esse conceito tão em voga faz parte das modas e livros de auto ajuda. Há muito quem pregue para poucos e se convença que é para milhões. Infelizmente a maioria dos mortais humanos e animais nunca vai sequer imaginar o que significa "a felicidade é uma escolha"..... e para mim, entenda-se, nada tem a ver com posses materiais, metas atingidas, riqueza. 
Tem a meu ver, com o nosso íntimo e a paz interior que conseguimos atingir num mundo de infernos. E esses infernos até tantas vezes, fomos nós que lhe demos vida, lhes alimentámos as chamas, sem ter dado conta. As nossas escolhas, o caminho escolhido, sempre "nós"...poucos são os que não escolhem, esses são infelizmente escravos da sociedade, de si próprios ou na mais negra hipótese, alguém lhes tirou o direito de escolha e os reduziu.

Poucos chegam ao conceito de felicidade. A grande maioria julga que tem a ver com posse. Mas nada tem a ver com posse, nem da pessoa ou pessoas, com quem vivemos, nem com materialismos.
E tantas situações em que tentas abrir os olhos a quem já dependeu de ti para um caminho sem escolhos, mais leve, mas preferem escolher outro, e tu nada podes fazer. Porque as quedas e os
escolhos, fazem parte do crescimento.

Ninguém pode viver o nosso caminho. Pode acompanhar-nos, nas nunca vai encontrar as mesmas dificuldades, as mesmas pedras.
Assim como milhões se convencem que vivem e apenas respiram para vegetar, outros há que toda uma vida levam a cair e a levantar-se e nunca entendem que as suas escolhas estão erradas. Que precisam parar e mudar.
Todas as pessoas são diferentes. Na cor de olhos ou cabelo ... na educação e cultura, no ter muito ou pouco.
Tudo fica cá e se hoje tem valor, amanhã é sucata, terra, tijolo....areia. Só o que está na nossa mente tem valor e nos pode fazer almejar o estado de paz e felicidade !!!
Como diz Hermann Hesse in «Demian» : “A vida de todo ser humano é um caminho em direcção a si mesmo, a tentativa de um caminho, o seguir de um simples rastro.”



Arte : Carola Vergara

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

O perigo da generalização – a culpa é dos pais !!

O perigo da generalização – a culpa é dos pais !! Tornou-se vulgar colocar todas as culpas sobre os ombros dos pais e todos sacodem as responsabilidades dos seus ombros, porque só gostam de apontar e nunca ver-se reflectido no espelho. E porque há quem ainda adulto, continue a culpabilizar os pais e nada faz para se mudar a si mesmo. Os pais são culpados até do que nunca presenciaram ou souberam que se passou ou se vivenciou, das escolhas, dos namorados ou namoradas, do fracasso profissional, da falta de amor próprio e deixar andar coisas que deveriam ser tratadas porque elas demonstram precisamente o contrário do que eles apontam, que a culpa é sua e das suas escolhas e que os pais, por mais que falassem e avisassem, chegavam a ser gozados em conjunto com os irmãos e até amigos.
Ninguém cresce sozinho, é um facto, mas será que todos os Media e até a camada jovem de "iluminados" psicólogos que apenas leram os manuais e nada sabem da vida, muitos vivendo eles próprios em dependência dos seus familiares, nem casados ou sequer vislumbrando a ideia de serem pais, mas aventam e implantam ideias absurdas nas cabeças dos mais incautos ou pseudo intelectuais. Será que todos eles precisam ser tão absolutamente alheados das realidades e defendem a parte que parece ser a mais fraca, mas é de facto a déspota ?


Represento duas gerações e ainda a de minha mãe e avós, não recordo e felizmente tenho uma memória prodigiosa, de ver ou ouvir algum filho falar, responder ou ter qualquer tipo de acção recriminatória nas gerações para trás. Porque havia respeito, e hoje há uma enorme lacuna dessa virtude e ainda, havia vergonha, coisa que desapareceu nas recentes gerações. O meu tempo que não é só vivido na primeira pessoa, mas também por uma geração, a geração a que chamei de super sortudos mas também onde se deu demais, e se criaram muitos "encostados" muitos sem objectivos. Julgavam-se pequenos deuses e eram apenas pequenos déspotas. Basta ver as estatísticas, os jovens saem em média de casa dos pais pelos 34 anos. E cada vez há mais, que nunca saem e outros que não estudam e nem trabalham. Acho isso assustador. Quando têm esses pobres pais o tempo de viver a dois, de repousar da mesmice de problemas com os filhos que na maioria das vezes não são nem respeitosos, nem verdadeiros e muito menos bons filhos ?
Sobre os pobres pais, recaem sempre as culpas, apontadas pelos filhos, que os culpabilizam dos seus fracassos.




quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Ficar por casa


Estes dias e por força de circunstâncias da vida mas também pelas dores de garganta e cordas vocais meio roucas, é o que tenho feito mais....ficar em casa. Este verão a praia só foi visitada por mim duas vezes e uma nem desci à areia... sequelas de uma valente depressão que se abateu sobre mim desde Fevereiro.

Depois tudo parece recordar que há pessoas que já não estão na nossa vida. Há dias fez 13 anos que meu amado pai partiu. Depois o  aniversário da morte de minha irmã. E daqui a dias, seria o aniversário de minha mãe....e já seis meses que partiu... 
Parece que finalmente estou a ver uma luz ao fundo do túnel e espero começar a sair como antes, sem ser às compras ou a passear os cães. 

Estar sozinho em casa, só não nos faz pior se nos agarramos a trabalhos e a livros.
Quando suportamos dores e problemas sozinhos, sem ajuda de pessoas que julgávamos amigas e família, acontece que de tão fortes sermos e em tanta circunstância, ( a vida é tramada...), um dia quebramos e os cacos ficam no chão, até sermos capazes de os colar. Reuni-los, pegar neles e ir compondo de novo o vaso da vida. 

Não e tarefa fácil e é para poucos....

Já os colei, espero a cola secar... e anseio que não volte a quebrar....o meu vaso está já demasiado remendado e frágil, demasiado frágil !!!

 Ninguém merece as nossas dores, sofrimento, lágrimas. Os que já aqui não estão, esses certamente como fazendo parte da nossa vida e percurso, não haviam de querer lágrimas nos nossos olhos, nem nuvens no coração. 
Quem me amou e partiu só queria ver-me rir e sorrir. É isso que preciso voltar a fazer, sorrir para a vida e para quem está ao meu lado !!

Porque eu mereço !!!

terça-feira, 8 de agosto de 2017

A indiferença mata!!




Como se morre de velhice
ou de acidente ou de doença,
morro, Senhor, de indiferença.
Da indiferença deste mundo
onde o que se sente e se pensa 
não tem eco, na ausência imensa.
Na ausência, areia movediça
onde se escreve igual sentença
para o que é vencido e o que vença.
Salva-me, Senhor, do horizonte
sem estímulo ou recompensa
onde o amor equivale à ofensa.
De boca amarga e de alma triste
sinto a minha própria presença
num céu de loucura suspensa.
(Já não se morre de velhice
nem de acidente nem de doença,
mas, Senhor, só de indiferença.



Cecília Meireles, in 'Poemas (1957)'

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Segunda-feira!!


Até gosto de segundas-feiras... adoro recomeços, mudanças, tudo o que venha fora da estrutura, essa é firme e constante. Por isso gosto de segundas-feiras, que não passam de um dia igual aos outros, só que o homem dividiu o tempo e deu-lhe nomes. Dividiu o tempo, para se punir. Melhor fora se seguisse o calendário solar e lunar. Mas a ambição e o querer datar feitos que não passaram de carnificina e usurpação, de assassinatos e purga de "infiéis", precisou de os marcar com uma ordem cronológica. Mas o tempo só tem a si mesmo, o tempo e é linear....só faz mal a quem o tem como dono e senhor. 😞

Mas esta segunda-feira não está a ser como habitual. Como diria minha mãe, "estás neura"....é isso, o vento faz-me sentir nostalgia e esta leva à neura....e que me impede de ter as janelas abertas....Dormi mal e pouco. Sono breve e inquieto povoado de maus sonhos.
Aqui no bairro onde morro, as casas são grandes e mesmo as mais pequenas são grandinhas. Mas já não há casas para vender e vários são os edifícios com obras dentro dos apartamentos. 
Pior é que, quem como eu vive em horários diferentes, geralmente sai prejudicado. 
Precisava de ter dormido mais umas duas ou três horas. Só consegui dormir quatro. Pouco!! 
Começam cedo as obras no apartamento do edifício ao lado e andam a partir paredes....desde há mais de um ano que são só obras. Espero que um dia destes não venha nas notícias que o crédito mal parado subiu astronomicamente e que temos de salvar outro banco qualquer...


Depois é o sino da igreja, que bate e rebate as horas, as chamadas para a missa e, nem está perto, mas como estou na linha de vento, este traz até mim o som dos sinos e parece que estão aqui, junto à janela.
E os aviões, os tais deslocados da Portela para os aeródromos e que passam por cima e são cada vez mais e maiores.  😒
 
Que segunda-feira !!!!



segunda-feira, 31 de julho de 2017

Os homens são anjos nascidos sem asas, é o que há de mais bonito, nascer sem asas e fazê-las crescer


Há quem não aprecie  a escrita de Saramago. Apesar de muitos terem os seus livros jamais os leram, tantas  vezes  usados para "dar o ar " à estante lá de casa, livros comprados  através dos clubes de livros  ou que vêm nos jornais e de repente estão ali, na estante, sem uma única página aberta, ainda intactos. No entanto constato que cada vez mais há apreciadores cá e longe  de cá. 
Há quem por exemplo na Rússia, Ucrânia, China, se especialize numa área da literatura e muitas vezes a escrita de Saramago é a visada e objecto de estudo.
A minha experiência foi difícil com ele. O meu primeiro livro dele, li-o e reli-o várias vezes seguidas. Até conseguir perceber como tinha de ler a sua escrita. É como se estivéssemos a ler os pensamentos e neles não há pontuação, somos nós que a fazemos. 
Confesso que hoje sou ávida leitora dele e esta obra, O Memorial do Convento, foi lida devagar. Ao contrário de Levantado do Chão, o primeiro...."… ( "Tanta paisagem. Um homem pode andar por cá uma vida toda e nunca se achar, se nasceu perdido"). Lida e relida. 
Portugal deveria ter particular atenção por todos os que engrandeceram a nossa História, nas diferentes artes. Em particular a escrita. 
Depois de ter aprendido a lê-lo, é talvez dos meus autores preferidos. Cada vez que pego um livro dele, lá está uma frase que fica  e esta, é absolutamente fantástica : ..."os homens são anjos nascidos sem asas, é o que há de mais bonito, nascer sem asas e fazê-las crescer..."
“Quando o tempo levantou, passada uma semana, partiram Baltasar Sete-Sóis e Blimunda Sete-Luas para Lisboa, na vida tem cada um sua fábrica, estes ficam aqui a levantar paredes, nós vamos a tecer vimes, arames e ferros, e também a recolher vontades, para que com tudo junto nos levantemos, que os homens são anjos nascidos sem asas, é o que há de mais bonito, nascer sem asas e fazê-las crescer, isso mesmo fizemos com o cérebro, se a ele fizemos, a elas faremos, adeus minha mãe, adeus meu pai”
do Memorial do Convento de José Saramago
Não há nada como ganhar asas, já lá diz o ditado, ler é como viajar, nunca sais a perder.
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